Presidente da BRF diz que país pode vender até 300 mil toneladas a mais de carne suína para China

Surto de febre suína africana se tornou um "evento transformacional", afirma Parente

São Paulo | Reuters

O Brasil está em condições de aumentar as exportações de carne suína para a China, onde um surto de febre suína africana se tornou um "evento transformacional" para a indústria global de carne, disse nesta quarta-feira (3) o presidente-executivo da BRF, Pedro Parente.

Segundo Parente, o aumento dependerá de fábricas em outros estados brasileiros, que não Santa Catarina, conseguirem obter certificação. A BRF tem apenas uma unidade no Brasil autorizada a vender carne suína para a China, acrescentou.

Durante conferência, Parente disse que, como um grupo, as empresas brasileiras poderiam vender de 200 mil a 300 mil toneladas a mais de carne suína por ano para a China.

A China produz cerca de 54 milhões de toneladas de carne suína e demanda cerca de 56 milhões de toneladas em um dado ano, com a diferença compensada pelas importações.

"Se a produção chinesa caísse 10%, o que é uma estimativa conservadora, isso significaria que o país precisaria de 5,5 milhões de toneladas adicionais para atender à demanda atual por carne suína", disse.

"Ninguém no mundo está realmente preparado para isso", disse o executivo sobre fornecedores alternativos para a China.

O comércio global de carne suína totaliza cerca de 8 milhões de toneladas, com a China respondendo por cerca de 20%, disse.

Parente observou que a BRF poderia se beneficiar da crise de saúde vendendo mais carne suína para a China ou aumentando as exportações de outras proteínas para aquele país, especialmente de frango.

Segundo Parente, esta não é uma oportunidade imediata, porque muitos produtores chineses estão avançando no abate e aumentando a oferta a curto prazo.

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