Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Consumo das famílias sustenta o PIB, mas desacelera

Houve alta em oito dos últimos nove trimestres, diz IBGE

Nicola Pamplona Mariana Carneiro
Rio de Janeiro

Com alta em oito dos últimos nove trimestres, o consumo das famílias evitou uma queda maior da atividade econômica brasileira, que recuou 0,2% no primeiro trimestre de 2019. Com inflação em alta e confiança do consumidor em baixa, porém, o ritmo de crescimento vem desacelerando.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o consumo das famílias vem crescendo desde o primeiro trimestre de 2017, quando comparado com o trimestre anterior. Nos primeiros três meses de 2019, a alta foi de 0,3%.

"Quem está puxando o PIB para cima é o consumo das famílias", afirmou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis. Na comparação com o trimestre anterior, serviu como contrapeso à queda de outros indicadores de demanda, como o investimento (queda de 1,7% no trimestre) e as exportações (-1,9%). 

Na comparação anual, o consumo das famílias cresceu 1,3%, enquanto o PIB teve alta de 0,5%. Depois de fechar 2018 no melhor patamar desde 2014, porém, o ritmo de alta do indicador vem diminuindo. 

"A gente viu que o patamar que está hoje é bem menor do que há alguns anos", disse a gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Cláudia Dionísio. Nos dois últimos trimestres de 2018, por exemplo, a alta foi de 0,6% e 0,5%, respectivamente.

"No primeiro trimestre, a taxa de inflação está em patamar maior, os indicadores de emprego e renda melhorando a passos lentos e os índices de confiança dos consumidores estão mais baixos", comentou ela.

Puxados também pelo consumo das famílias, o setor de serviços teve crescimento de 0,2% no trimestre, em comparação com o último trimestre de 2018. Na comparação anual, a alta foi de 1,2%. é o setor com maior peso na economia brasileira.

De acordo com a gerente do IBGE, a alta reflete mais o desempenho de segmentos ligados ao consumo, como serviços de informação e atividades imobiliários. Os serviços ligados à indústria, como transportes e comércio atacadista, ainda estão no campo negativo.

Com a piora do cenário neste início do ano economistas já revisaram para baixo suas projeções para 2019. Em boletim divulgado na semana passada, o FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), o crescimento no consumo em 2019 será de 1,9%. No início do ano, a projeção era 2,5%.

Em seu último relatório de inflação, publicado em março, o Banco Central também reduziu sua projeção para o ano, de 2,5% para 2,2%, "em linha com o relativo arrefecimento no ritmo de recuperação do mercado de trabalho no final de 2018 e início deste ano".

Em março, a taxa de desemprego chegou a 12,7%, com 13,4 milhões de pessoas procurando emprego no país –10,2% a mais do que no último trimestre de 2018. Ao todo, segundo o IBGE, 28,3 milhões de pessoas estavam sem emprego ou trabalhando menos do que gostariam.

Para o FGV/Ibre, inflação e crise dos estados também ajudam a segurar o consumo. "A situação fiscal critica de estados e municípios tem forçado atrasos no pagamento de aposentados e funcionários e a inflação mais salgada nos últimos meses tende a corroer a renda real", escreveram as economistas Silvia Matos e Luana Miranda, no Boletim Macro de maio.

O consumo do governo cresceu 0,4% no trimestre, em comparação com os últimos três meses de 2018. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, a alta é de 0,1%.

Erramos: o texto foi alterado

O consumo das famílias subiu em oito dos últimos nove trimestres, e não por nove trimestres consecutivos, como informou versão anterior desta reportagem. O texto foi corrigido.

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