EUA adiam sanções contra chinesa Huawei por três meses

Suspensão derrubou mercado e havia impactado Google e fabricantes de chip

Washington | AFP

Os Estados Unidos decidiram nesta segunda-feira (20) adiar até agosto a proibição de exportações de tecnologia para a gigante chinesa Huawei, segundo anúncio do Departamento de Comércio.

Órgão afirma que o adiamento foi decidido para que a Huawei e seus sócios tenham tempo "para manter e respaldar as redes e equipamentos existentes e, atualmente, em pleno funcionamento, inclusive as atualizações de software".

As principais Bolsas mundiais recuaram nesta segunda por conta das sanções.

O impacto das ameaças do governo Trump  sufocar a chinesa Huawei reverberou pelas cadeias mundiais de suprimento na segunda-feira (20), atingindo alguns dos maiores fabricantes mundiais de componentes.

As sanções atingir várias empresas norte-americanas que fornecem componentes e programas para a gigante tecnológica chinesa, que também pode tentar superar o Vale do Silício.

Especialistas do setor ouvidos pela AFP estimam que empresas dos EUA venderam US$ 11 bilhões em componentes para o grupo chinês ano passado. 

Pela manhã, fabricantes de chips como a Intel, Qualcomm, Xilinx e Broadcom informaram aos seus empregados que suspenderão o fornecimento de produtos à Huawei até segunda ordem, de acordo com a agência Bloomberg.

Mais cedo, o Google também anunciou corte de relações com a empresa, o que atinge diretamente os usuários dos celulares da chinesa, que rodam sistema Android. Os aparelhos poderão ficar sem poder usar os apps   Gmail ou Google Maps.

A Huawei é a segunda maior fabricante de smartphones no mundo, atrás somente da Samsung.

No sábado, o fundador da  Huawei,  Ren Zhengfei, disse à imprensa japonesa que a empresa está preparada para enfrentar a pressão de Washington e que vai reduzir a dependência de componentes americanos.

A empresa, com sede em Shenzen (sul da China), é muito dependente dos fornecedores estrangeiros: a cada ano compra US$ 11 bilhões em componentes de grupos americanos, sobre um total de US$ 67 bilhões de gastos neste departamento, segundo o jornal japonês Nikkei.

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Logo da Huawei em fábrica na província chinesa Guangdong - Tyrone Siu/Reuters

ESPIONAGEM

O grupo está há algum tempo na mira das autoridades americanas, sob suspeita de espionagem a favor de Pequim, o que teria contribuído em grande parte para sua espetacular expansão internacional.

Washington teme que o grupo, presente em 170 países e que afirma ter 190 mil funcionários, atuem como um cavalo de Troia da China. O passado militar de seu fundador, o fato de que ele pertence ao Partido Comunista, assim como a falta de transparência da Huawei alimentam as suspeitas de que a empresa está sob controle de Pequim, sobretudo após uma lei aprovada em 2017 que obriga as empresas chinesas a colaborar com os serviços de inteligência do país.

No primeiro trimestre, a Huawei vendeu 59,1 milhões de smartphones, o que representa 19% do mercado, mais do que a americana Apple, mas ainda continua atrás da líder do setor, a sul-coreana Samsung.

A Huawei é uma das empresas líderes do 5G, a nova geração da internet móvel que está em processo de desenvolvimento.

China e Estados Unidos, as duas maiores economias mundiais travam uma guerra comercial, com a imposição mútua de tarifas, e na qual a tecnologia é um eixo fundamental do confronto.

Com agências de notícias

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