Após atingir mínima do ano, Bolsa sobe mais de 2% com recompra de investidores

Mercado confia em aprovação da reforma da Previdência; dólar segue a R$ 4,10

Júlia Moura
São Paulo

Após o tombo de 4,5% acumulado na semana passada, a Bolsa brasileira ficou atrativa aos olhos dos investidores. Confiantes com a aprovação de alguma reforma da Previdência —quer seja do governo Bolsonaro, quer seja um texto alternativo da Câmara—, o mercado retomou posições nas companhias abertas e levou o Ibovespa a alta de 2,17%. Durante o pregão, o índice bateu os 92.116 pontos e fechou próximo do mesmo patamar, a 91.946 pontos. 

O dólar amenizou alta com o leilão de US$ 1,25 bilhão do Banco Central e fechou a R$ 4,1050, com 0,07% de ganhos. Durante o dia, a moeda americana chegou a R$ 4,1230, maior patamar durante pregão desde 25 de setembro, período pré-eleitoral.

Após alcançar os R$ 4,10 na semana passada, o Banco Central interveio na cotação do dólar com leilões de linha. O efeito, entretanto, foi tímido e apenas barrou a alta da moeda.

A primeira venda, chamada de leilão A, teve início às 12h15, com término às 12h20, arrematando US$ 251 milhões. A segunda venda, leilão B, aconteceu das 12h30 às 12h35 e arrematou US$ 999 milhões.

Somados, os valores seguem o limite estipulado previamente de venda de US$ 1,25 bilhão por dia. Na terça (21) e na quarta (22) estão programados novas vendas com compromisso de recompra.

“R$ 4,10 é um patamar muito alto para o dólar. Na sexta, subimos dez centavos em um dia, isso é um exagero, um desespero do mercado. Por isso o Banco Central decidiu interferir”, diz Fernanda Consorte, estrategista de câmbio do Banco Ourinvest.

A Bolsa, que perdeu o patamar dos 90 mil pontos na sexta (17), teve desempenho distinto do dólar e do mercado externo.

“Enquanto há expectativa com a aprovação da reforma, Bolsa deve permanecer no patamar dos 90 mil pontos. A sinalização do congresso de que teremos uma reforma, independente de Bolsonaro, é positiva para o mercado”, afirma Thiago Salomão, da Rico Investimentos. ​

Na semana passada, o presidente da comissão especial que analisa a PEC da Previdência, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), disse que seria apresentado um substitutivo ao texto da equipe econômica de Jair Bolsonaro (PSL). A declaração não preocupa o mercado, que vê emprenho da Câmara na aprovação de mudanças na Previdência que reduzam o déficit fiscal. 

"Se o Bolsonaro não quer ser pai da criança, não tem problema, a gente tem a aprovação da reforma com a Câmara”, completa Salomão.

Após uma semana de manifestações populares contra o corte de verbas na Educação e de derrotas no Congresso, Bolsonaro precisará reorganizar a frágil articulação com o Legislativo para garantir em menos de 15 dias a aprovação de 11 medidas provisórias prestes a expirar. A maioria delas tem relevante impacto econômico e na estrutura administrativa do governo.

“Há uma falta de articulação do governo e incerteza quanto ao PSL, com muita bateção de cabeça, chamar ou não chamar para protesto. É o governo brigando com si mesmo e isso deixa os investidores cautelosos, refletindo na alta do dólar. Já a Bolsa caiu o suficiente para gerar uma grande oportunidade de compra”, afirma Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

Para analistas, a forte queda de 6,60% no mês deixou os papéis das companhias baratos. Eles acreditam que o Ibovespa, maior índice acionário do país, deve permanecer acima dos 90 mil pontos, ou seja, não teria mais espaço para queda. 

O senso de oportunidade fez com que ações de empresas que acumulam forte queda no mês tivessem forte alta nesta segunda. A Braskem, que recua 23% em maio, subiu 10% —maior alta do dia.

Com risco de rompimento da barragem de Barão dos Cocais (MG) e aumento da multa do Ministério Público de Minas Gerais, a Vale destoou do panorama e caiu 2%. 

Além da compra de ações, o giro financeiro foi impulsionado pelo exercício de opções de ações, que teve o vencimento nesta segunda. Dos R$ 23,4 bilhões negociados, R$ 9,26 bilhões foram de exercício de contratos de opções sobre ações. Dentro desta fatia, R$ 1,23 bilhão correspondem a opções de compra, enquanto R$ 8,02 bilhões foram em opções de venda.​

As principais Bolsas mundiais recuaram nesta segunda após a chinesa Huawei, maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo, ser colocada em uma lista negra de comércio pelo governo dos EUA, o que intensificou a guerra comercial.

Também nesta segunda, a China acusou os EUA de manterem "expectativas extravagantes" para um acordo comercial. Com a negativa, Bolsas globais fecharam em queda.

O índice CSI, que mede o desempenho das Bolsas de Shangai e Shenzhen, caiu 0,85%. Hong Kong cedeu 0,57%. O índice de Tóquio teve leve alta de 0,24%.

A Bolsa de Milão teve a pior queda percentual do ano, com recuo de 2,68%. A Bolsa de Londres recuou 0,5% e França e Alemanha caíram 1,5% cada. Nos EUA, Dow Jones recuou 0,33%. S&P 500, 0,67% e Nasdaq, 1,46%.

(Com Reuters)

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