Mantega e Coutinho viram réus em processo sobre empréstimo do BNDES à JBS

Supostas operações deram origem à Operação Bullish, desdobramento da Lava Jato

Rio de Janeiro | Reuters

A Justiça aceitou denúncia contra os ex-presidentes do BNDES Luciano Coutinho e Guido Mantega sobre empréstimos do banco de fomento ao grupo processador de carne JBS. As supostas operações deram origem à Operação Bullish, um desdobramento da Lava Jato.

A decisão do juiz da 12ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, Marcus Vinicius Reis Bastos, rejeitou a denúncia contra funcionários do BNDES, mas aceitou contra cinco pessoas, incluindo os ex-presidentes do banco Coutinho e Mantega.

Guido Mantega, quando ministro da Fazenda, com o então presidente do BNDES, Luciano Coutinho
Guido Mantega, quando ministro da Fazenda, com o então presidente do BNDES, Luciano Coutinho, em 2012 - Sergio Lima/Folhapress

A denúncia da Procuradoria à Justiça envolvia empregados do banco, intermediários e os dois ex-presidentes da instituição, num total de 12 pessoas. Na denúncia, os procuradores apontaram que a JBS teve acesso a aportes financeiros do BNDES a partir de operações sobreavaliadas e prejudiciais ao banco, contrárias às normas e regulamentos internos e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Para obter os recursos, segundo a denúncia, o esquema "contava com intermediadores que conectavam os empresários aos agentes políticos que interferiam nas decisões do BNDES. Essas pessoas interpostas também recebiam dinheiro em contas no exterior para impossibilitar o rastreamento da propina".

"Os depoimentos colhidos na fase investigativa, repito, negam peremptoriamente qualquer interferência, influência, orientação, pressão, constrangimento ou direcionamento na tramitação dos processos de aporte financeiro do BNDES", disse o magistrado na decisão desta quinta-feira (23), em referência aos funcionários do banco citados na denúncia.

A decisão da Justiça foi comemorada pelo presidente do BNDES, Joaquim Levy, na quinta-feira, que fez menção ao caso em um evento público sobre economia verde no Rio de Janeiro.

"É um reconhecimento das nossas práticas e que estamos livres de influências externas", disse Levy a jornalistas. "Nossas atividades são legítimas e a decisão fortalece a instituição", acrescentou.

Sede do BNDES, no Rio de Janeiro
Sede do BNDES, no Rio de Janeiro - Lucas Tavares/Folhapress

A operação Bullish foi realizada em 2017, com expedição de 37 mandados de condução coercitiva e funcionários do BNDES chegaram a ser levados à sede da PF no Rio de Janeiro para prestar esclarecimentos, gerando protestos no banco.

Em nota, Luciano Coutinho afirmou que "a decisão foi sábia ao isentar todos os funcionários do BNDES de atos ilícitos, mas não pode deixar de manifestar inconformismo em relação à sua pessoa".O ex-presidente do banco reiterou ainda sua confiança na justiça, reforçando que sua inocência será demonstrada ao longo do processo.

A reportagem tentou contato com Guido Mantega, mas não conseguiu localizá-lo.

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