Lime, americana líder do mercado de patinetes, estreia em São Paulo

Companhia afirma que priorizará segurança de usuário e cumprimento de regulações locais

Filipe Oliveira
São Paulo

A startup californiana Lime começou a oferecer patinetes elétricas compartilhadas em São Paulo nesta terça-feira (2).

O serviço também chega ao Rio de Janeiro na quinta-feira (4).

A startup vem sendo avaliada em US$ 2,4 bilhões (R$ 9,24 bilhões) e tem entre seus investidores a Uber e fundo de capital de risco do Google. Em fevereiro captou US$ 310 milhões para sua expansão.

Aplicativo Lime para aluguel de patinetes elétricos
Aplicativo Lime permite usuário alugar patinetes elétricas - Henrique Pereiva/Reprodução

A companhia, que está em 100 cidades de 26 países, defende em seu discurso a busca por maior segurança do usuário, de um lado, e a promessa de atuar em conformidade com as regulações municipais.

No evento de lançamento da startup no Brasil, cada um dos convidados recebeu um capacete da empresa. O item passou a ser obrigatório em São Paulo desde maio, quando a prefeitura de Bruno Covas (PSDB) publicou regulação provisória para o setor em resposta a acidentes, porém a regra foi suspensa pela Justiça.

As empresas em atuação no Brasil criticaram a medida, em especial por ela permitir que sejam multadas por infrações cometidas por usuários, e disseram que as regras inviabilizam seus negócios.

John Paz, diretor-geral da Lime no Brasil, por outro lado, disse considerar o mercado brasileiro muito atraente, apesar de serem possíveis melhorias.

“Achamos que é o mercado atual é bom para que a Lime venha, mas precisamos sempre melhorar. Junto da prefeitura e as outras empresas vamos traçar caminhos para melhorar as cidades.”

Joe Kraus, presidente da empresa, disse à folha considerar que o momento atual é o correto para entrar no mercado brasileiro em razão de as cidades estarem criando regras para o serviço. Ele afirma que a empresa vinha em diálogo com a prefeitura de São Paulo desde o ano passado.

"Se você chega nacidade sem anúncio, colocar milhares de veículos nas ruas, o que consegue em retorno é uma reação reativa, que vai contra o objetivo de longo prazo que é a redução do uso de carros."
 Por outro lado, ele diz acreditar que tornar o capacete obrigatório é negativo, pois, conforme se exponham ao risco de multas, usuários podem desistir de usar patinetes e voltar aos automóveis. Segundo ele, o ideal é que empresas e prefeitura incentivem o uso, sem punição a quem não o fizer.

O executivo diz que também quer atuar junto às cidades fornecendo dados sobre o uso de seu serviço, o que pode servir para direcionar investimentos em infraestrutura, como a construção de ciclovias, levando em conta a demanda dos cidadãos.

A respeito da segurança, Krauss diz que, como fabrica suas patinetes, tem maior agilidade do que as rivais para aprimorar o projeto conforme percebe uma necessidade apontada por usuários.

Ele explica que as patinetes são fabricadas na China e a Lime possui equipe de 100 profissionais que trabalham em seu desenvolvimento, design e produção.

A empresa também oferecerá aulas para quem quer aprender a conduzir patinetes com segurança. O Plano é treinar 4.000 pessoas em três meses. Haverá atividade do tipo no Largo da Batata, em Pinheiros, neste sábado (6).

A principal rival da Lime no mercado brasileiro é a Grow joint-venture das empresas Yellow e Grin. A companhia está presente em 14 cidades com 135 mil patinetes e bicicletas para serem compartilhadas.

Krauss diz que a Lime terá uma abordagem mais colaborativa com as cidades do que sua rival, que ele diz considerar ter feito uma entrada agressiva no mercado. No final de maio, a prefeitura de São Paulo recolheu mais de 500 patinetes que estavam pela cidade no dia em que entraram em vigor as novas regras para o uso delas. No caso da Grow, a prefeitura disse na ocasião que ela não se cadastrou para operar na cidade em tempo hábil. "Não queremos que isso aconteça com a gente", diz Krauss em referência ao caso.

Também se espera que Uber e Cabify entrem no mercado de micromobilidade (que inclui bikes e patinetes) neste ano.

A Uber, apesar de disputar mercado com ela, começou a mostrar as patinetes da Lime disponíveis para locação em duas cidades americanas nesta segunda (1º), ao lado de bikes e patinetes que ela própria oferece nesses locais.

Questionado sobre como as duas empresas se relacionam, Krauss diz que é normal que, quando mercados estão surgindo, os papéis de concorrente e parceiro se misturem.

Ele diz acreditar que, no futuro, a parceria entre as duas empresas deve se aprofundar, levando em conta a liderança na Lime nesse mercado e o fato de a Uber ser uma de suas acionistas.

a Lime chega ao Brasil com alguns milhares de patinetes. Na América Latina, já são dezenas de milhares.

Para o usuário, a empresa cobrará R$ 3 para o inicio da corrida e R$ 0,50 por minuto. É o mesmo valor praticado pela Grin em São Paulo.
 

Krauss afirma que a companhia tem interesse em oferecer patinetes a preços mais acessíveis. Nos Estados Unidos, possui programas para subsidiar o uso delas em regiões pouco servidas com transporte público, afirmou.

Na capital paulista, as patinetes estarão espalhadas pelos bairros Pinheiros, Vila Olímpia, Itaim, Brooklin e Vila Nova Conceição. ​

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