Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Paraguaios vêm ao Brasil discutir preço de energia de Itaipu

Bolsonaro diz que vai 'fazer justiça' em relação aos valores negociados

Talita Fernandes Daniel Carvalho
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta quarta-feira (31) que seu governo está disposto a "fazer justiça" em meio às discussões sobre um acordo energético com o Paraguai sobre a usina de Itaipu. 

"Nosso relacionamento com o Paraguai é excepcional, excelente. Estamos dispostos a fazer justiça nesta questão de Itaipu binacional que lá é importantíssima para o Paraguai e importante para nós", disse.

O país vizinho vem sofrendo pressão para alterar os termos de um acordo assinado com o Brasil em maio deste ano. O tema levou a uma crise política que já resultou na renúncia de quatro autoridades paraguaias. 
 

A usina de Itaipu com todas as 14 comportas das três calhas do vertedouro. foto Nilton Rolin /Itaipu - Nilton Rolin-24.jan.2019/Itaipu

O presidente não deu detalhes de como o Brasil pretende proceder nas tratativas com o país vizinho, mas dirigiu elogios a Mario Abdo. 

"Ontem eu conversei com o [general Joaquim] Silva e Luna, o presidente da parte brasileira de Itaipu. Estamos resolvendo este assunto. Pode deixar que o Marito [Mario Abdo, presidente do Paraguai] vai ser reconhecido pelo bom trabalho que está fazendo no Paraguai", disse.

Questionado se o Brasil cederia, ele não quis dar detalhes. 

"Não é questão de ceder ao Paraguai. Não é meio a meio? A princípio é por ai. As pequenas derivações a gente acerta ai", disse.

Mais tarde, o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, afirmou que o Brasil está aberto ao diálogo em caso de rescisão do acordo firmado no primeiro semestre deste ano.

Segundo o porta-voz, o Brasil está aberto à discussão dos termos do acordo visando benefícios de ambos os países. "O presidente Jair Bolsonaro me comentou há pouco a sua intenção de estar aberto a essa discussão, inclusive em uma eventual denúncia do acordo de se colocar em posição de dialogar profundamente." 

As declarações ocorrem em meio a uma crise política no Paraguai que já resultou na renúncia de quatro integrantes do alto escalão do governo daquele país.  O chanceler do Paraguai, Luis Castiglioni, e outros três altos funcionários do governo renunciaram na segunda-feira (29).

Na visão de autoridades paraguaias, o acordo energético assinado com o Brasil em maio, que traz diretrizes sobre a energia da hidrelétrica de Itaipu até 2022, seria prejudicial para o país e custaria ao governo US$ 200 milhões.

As distribuidoras Ande (Paraguai) e Eletrobras (Brasil) acordam anualmente a contratação da energia elétrica procedente da usina binacional, uma das maiores do mundo.

As renúncias ocorrem após a decisão do Executivo paraguaio de solicitar a anulação de ata assinada com o Brasil em maio e publicada neste final de semana.

Em março, o presidente Mario Abdo visitou o Brasil e discutiu a revisão de cláusulas financeiras envolvendo a hidrelétrica. À época, o ministro da Fazenda paraguaio, Benigno López, disse esperar que as negociações fossem justas e rápidas.

Na semana passada, o ex-presidente da Ande, Pedro Ferreira, já havia renunciado após discordar dos termos do acordo e se recusar a assiná-lo.

O Congresso paraguaio exigiu uma explicação do governo, enquanto os representantes da Ande se manifestaram em frente ao prédio legislativo com cartazes dizendo "eles não terão paz enquanto violarem a Constituição".

Itaipu, que opera desde 1984, atualmente tem uma potência instalada de 14 mil megawatts. O Brasil consume cerca de 84% da energia da usina, o que representa 15% de toda a energia utilizada no país.

Os países se preparam para negociar o futuro de Itaipu com um importante adendo ao tratado fundador da hidrelétrica, que expirará em 2023.
 

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