Presidente de Furnas defende privatização da empresa

Luiz Carlos Ciocchi sugere que modelo seja o da BR Distribuidora, que vendeu ações em Bolsa

Diego Garcia
Rio de Janeiro

O novo presidente de Furnas, o engenheiro Luiz Carlos Ciocchi, disse ser a favor da privatização da empresa e que isso pode ser feito com a venda de ações da companhia em Bolsa.

Furnas é uma subsidiária da Eletrobras, maior empresa de energia da América Latina.

“Vejo com bons olhos a capitalização, pela oportunidade e musculatura que pode trazer à empresa. É uma saída inteligente e fácil do ponto de vista operacional. A venda da BR [Distribuidora, subsidiária da Petrobras] foi fácil, uma simples venda de ações na Bolsa”, disse Ciocchi em encontro com jornalistas nesta terça-feira (30).

Vista da hidrelétrica de Furnas, em Minas Gerais. - Paulo Whitaker-24.out.2017/Reuters

A privatização da BR Distribuidora ocorreu em 24 julho, após a Petrobras vender o equivalente a R$ 8,6 bilhões em ações da subsidiária de postos de combustíveis. A BR Distribuidora, porém, já tinha ações negociadas em Bolsa desde 2017, o que tornou a privatização relativamente mais simples.

O presidente de Furnas elogiou o modelo de venda da BR, mas não afirmou que iria seguir. Segundo ele, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, comentou que, antes, deverá passar pelo Congresso, o que não aconteceu com a distribuidora da Petrobras.

Luiz Carlos Ciocchi completou três meses à frente de Furnas nesta segunda (29). Foi o primeiro encontro dele com a imprensa desde que ingressou na presidência.

Tampouco o executivo é o primeiro presidente de estatal da gestão Jair Bolsonaro a defender a venda da companhia que administra: Roberto Castello Branco (Petrobras) e Rubem Novaes (Banco do Brasil) já fizeram afirmações nesse sentido.

“O futuro nosso de curto prazo pode ser como estatal, como é hoje, ou privado, fazendo parte de uma corporação. O objetivo estratégico da empresa é o mesmo, seja ele qual for o cenário", disse o presidente de Furnas. Segundo ele, o objetivo continua sendo transformar Furnas na melhor e maior empresa de energia do país.

Elétricas privadas, principalmente de capital estrangeiro, têm ampliado os investimentos no país, aproveitando o recuo de grandes estatais.

“Vejo um cenário no qual governos, do Brasil e do mundo, não têm mais a capacidade de investimentos em energia”, afirmou Ciocchi.

O plano de privatização de Furnas, que segundo o executivo “poderia ocorrer nos próximos meses”, esbarra na oposição política.

Frentes parlamentares contra a privatização de empresas de energia elétrica têm atraído políticos de diversos partidos, entre eles parlamentares do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, cujo governo tem preparado planos que podem levar à desestatização da Eletrobras.

Nos anos 90, Furnas foi a empresa onde travaram os planos do então presidente Fernando Henrique Cardoso para privatizar partes da Eletrobras. Na ocasião, FHC buscava um programa de desestatização no setor elétrico, mas sofreu resistência política e corporativa.

Também participaram da conversa desta terça os diretores de Furnas José Alves de Mello Franco (comercialização), Pedro Eduardo Fernandes Brito (administração), Caio Pompeu de Souza Brasil Neto (finanças), Djair Roberto Fernandes (operação) e Claudio Guilherme Branco da Motta (engenharia).

Os diretores mencionaram investimento de R$ 1,4 bilhão no ano que vem, com R$ 1,3 bilhão em ativos próprios e R$ 100 milhões em Sociedade de Propósito Específico (SPE). A decisão já passou pelos Conselhos de Administração de Furnas e da Eletrobras, mas precisa ainda da homologação da SEST (Secretaria de Empresas Estatais).

Hoje, Furnas conta com 21 usinas hidrelétricas (quatro próprias, seis sob administração especial, duas em parceria com a iniciativa privada e nove sob a forma de SPEs), três parques eólicos em SPEs e duas térmicas convencionais. Em transmissão, a empresa conta com 29 mil km de linhas de transmissão.

O presidente também explicou sobre a mudança de sede de Furnas, que sai da rua Real Grandeza, em Botafogo, onde está desde o início da década de 70, para a avenida Graça Aranha, no Centro do Rio de Janeiro. O prédio sediava a mineradora Vale. Segundo o executivo, a economia será de 60% em despesas de aluguel, IPTU e outras taxas.

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