Descrição de chapéu Financial Times

Ex-engenheiro da Uber é acusado de furtar segredos comerciais do Google

Procuradores dos EUA apresentaram 33 acusações contra Anthony Levandowski

Patrick McGee Camilla Hodgson
Financial Times

Procuradores públicos dos Estados Unidos apresentaram 33 acusações contra Anthony Levandowski, um dos mais conhecidos desenvolvedores de tecnologia para carros autoguiados do planeta, por furto e tentativa de furto de segredos comerciais do Google, foi anunciado na terça-feira.

Levandowski, 39, foi um dos criadores do projeto de carros autônomos do Google, agora conhecido como Waymo , onde ele liderava a equipe de engenharia de "lidar", um sistema de detecção de luz semelhante ao radar, usado para detectar objetos.

O indiciamento federal acusa Levandowski de baixar dos arquivos do Google "numerosos arquivos de engenharia, produção e negócios" relacionados ao "lidar" e à tecnologia para carros autoguiados, e de usar essas informações em empreitadas subsequentes.

Levandowski se demitiu da Waymo em janeiro de 2016 e fundou a Otto, uma empresa de desenvolvimento de caminhões autoguiados mais tarde adquirida pela Uber. A Uber o apontou como vice-presidente encarregado de veículos autoguiados, mas o demitiu mais tarde, em maio de 2017, depois que surgiram acusações de que ele havia levado informações exclusivas da Waymo ao deixar a companhia.

"Todos nós temos o direito de mudar de emprego", disse David Anderson, procurador da Justiça federal americana. "Nenhum de nós tem o direito de encher os bolsos a caminho da saída. Furto não é inovação".

A procuradoria federal americana do distrito norte da Califórnia anunciou que Levandowski foi acusado em 15 de agosto, mas os documentos só foram revelados na segunda-feira. Ele pode ser sentenciado a até 10 anos de prisão e a uma multa de US$ 250 mil por acusação.

Waymo e Uber encerraram de forma negociada o seu processo quanto a segredos comerciais, no ano passado, com a Uber aceitando um acordo sob o qual pagou US$ 245 milhões à Waymo. O acordo não afetou outros processos judiciais relacionados ao caso.

Um porta-voz da Waymo declarou que "sempre acreditamos que a competição deve ser alimentada pela inovação, e apreciamos o trabalho da procuradoria federal da justiça e do Serviço Federal de Investigações (FBI) neste caso".

Um porta-voz da Uber declarou que "cooperamos com o governo ao longo de toda a sua investigação e continuaremos a fazê-lo".

Levandowski é um engenheiro empreendedor conhecido por forçar as fronteiras tecnológicas mas incomodar seus colegas ao fazê-lo. Antes que o Google se comprometesse plenamente com o projeto de carro autoguiado, ele inspirou a imaginação de Larry Page e Sergey Brin, os fundadores do Google, ao equipar um Toyota Prius com tecnologia para direção autônoma e depois gravar uma entrega bem sucedida de pizza feita pelo carro em San Francisco.

Em dezembro, Levandowski anunciou um novo projeto, Pronto.ai, mais uma empresa iniciante de caminhões autoguiados, lançada por conta da "incapacidade do setor para cumprir suas promessas", ele disse quando do lançamento.

Levandowski critica o setor de veículos autoguiados frequentemente por sua lentidão. Em um artigo publicado no site Medium em dezembro de 2018, ele escreveu que "a despeito das vastas somas de dinheiro e do tempo dedicado a desenvolver e lançar veículos autoguiados, não existem veículos verdadeiramente autônomos hoje. O que temos são demonstrações cada mais complexas e dispendiosas".

A Pronto divulgou um comunicado na terça-feira informando que o vice-presidente de segurança Robbie Miller "tomará as rédeas" como presidente-executivo.

"As acusações criminais apresentadas contra Anthony se relacionam exclusivamente ao 'lidar' e não envolvem de qualquer maneira a revolucionária tecnologia da Pronto. É claro que continuamos a apoiar Anthony e sua família plenamente nesse período", a empresa acrescentou.

Miles Ehrlich e Ismail Ramsey, os advogados de Levandowski, descartaram as acusações como uma "retomada" de queixas "já desacreditadas".

Eles admitiram que Levandowski baixou arquivos do Google, mas afirmam que o fez como empregado autorizado. "Ele não furtou coisa alguma, de qualquer pessoa", os advogados escreveram. "Nenhum desses arquivos supostamente secretos chegou à Uber ou a qualquer outra empresa". 

Financial Times, tradução de Paulo Migliacci

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