Ibovespa opera em queda e abaixo dos 100 mil pontos

Dólar se mantém acima dos R$ 4

Júlia Moura
São Paulo

A forte queda dos mercados com a retração chinesa e alemã se estende nesta quinta-feira (15). A Bolsa brasileira continua em queda, com recuo de 0,3%, a 99.948 pontos por volta das 13h29. Este é o menor patamar do Ibovespa em cerca de um mês. Desde 19 de junho o índice não fecha abaixo dos 100 mil pontos.

O dólar tem queda de 0,7%, a R$ 4,013, com o anúncio de que o Banco Central vai intervir no câmbio. Apesar da venda de dólares à vista das suas reservas internacionais e contratos de swap cambial começar apenas na próxima quarta (21), a medida já tem efeitos no mercado.

Investidor preocupado
Ibovespa recua novamente nesta quinta (15) e perde os 100 mil pontos - Xinhua/Wang Ying

"A tendência é que o anúncio do BC por si só dê um impacto para vir abaixo dos R$ 4. Na semana que vem, começa a recuar mais (com o início dos leilões)", afirma Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio do banco Ourominas.

No exterior, o viés é negativo para as principais Bolsas globais. A Bolsa de Londres fechou em queda de 1% e Frankfurt, de 0,7%.

Em Nova York, os índices Dow Jones e S&P 500 se recuperam, com altas de 0,32% e 0,74%, respectivamente. O viés positivo é puxado por bons resultados corporativos no segundo trimestre.

A empresa de tecnologia Agilent sobe 8% e o Walmart, 4%, após ambas reportarem desempenhos melhores que o esperado no período.

​No Brasil, a queda é impulsionada por Petrobras e Vale, com a desvalorização internacional do petróleo e do minério.

As ações preferenciais, mais negociadas, da Petrobras recuam, 1,8% e as ordinárias, com direito a voto, 1,66%. O barril de petróleo Brent cai 2,35% neste pregão, a US$ 58,08, após queda de 3% na véspera.

A Vale perde 1,67%, a R$ 44,13. Nesta sessão, o minério de ferro caiu 1,7%, a US$ 89, menor patamar desde maio.

A Ultrapar, dona dos postos Ipiranga, por sua vez, tem a maior queda do índice. Os resultados do segundo trimestre da companhia decepcionaram, com pioras em todos os setores da empresa. O lucro líquido, de R$ 114 milhões teve uma redução quase que pela metade em relação a 2018.

"Embora o atual ambiente macroeconômico seja o grande responsável por essas dificuldades, notamos que há pouca visibilidade sobre a estratégia da empresa para reverter esse quadro", afirma a XP Investimentos em relatório.

Na outra ponta, as ações da JBS saltam 6,5% após quase dobrar o lucro líquido no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, com o aumento de exportações de carnes suína e de aves.

(Com Reuters)

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