BC vê inflação menor, mesmo com dólar em R$ 4,10, e economistas projetam Selic a 4,5%

Copom também indicou que cenário externo não impede redução de juros no Brasil

Eduardo Cucolo
São Paulo

No comunicado sobre o corte de juros anunciado nesta quarta-feira (18), o Banco Central indicou que a alta do dólar para um patamar de R$ 4,10 e a piora no cenário internacional não impedem que a instituição siga reduzindo a taxa básica (Selic) para estimular a economia.

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC diz que, mantida a taxa de câmbio e considerando a expectativa do mercado de queda dos juros para 5% ao ano, a inflação ficará em torno de 3,4% neste ano, abaixo da meta de 4,25% (com variação de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima).

Para 2020, cuja meta é de 4%, o comitê projeta inflação de 3,8% nesse cenário.

Jankiel Santos, economista sênior do Santander, afirma que os números mostram que ainda há uma “gordura” que permite ao Copom cortar os juros de 5,50% para 4,50% ao ano em 2019 e mantê-lo nesse nível até o final de 2020.

“Ele indica que, se tiver de fato um câmbio ao redor de R$ 4,10 e continuar cortando taxa de juros, não vai deixar de cumprir meta no ano que vem. Então, tem espaço para fazer mais cortes”, afirmou Jankiel.

O economista Marcos Ross, da XP Investimentos, também destacou a queda nas projeções de inflação divulgadas no comunicado.

A instituição projetava mais um corte de juros neste ano, para 5%, mas afirmou que as mudanças no comunicado do BC devem levar a uma revisão desse número para baixo.

“Com juro a 5% e câmbio relativamente depreciado, a inflação ainda está abaixo de 4%. Isso vai abrir mais margem para o BC seguir cortando juros”, afirmou Ross.

“Outro destaque é o cenário externo, dizendo que é um cenário bem deflacionário lá fora e que isso vai bater aqui com certeza.”

Ross se refere ao trecho do comunicado no qual o Copom afirma que “a provisão de estímulos monetários adicionais nas principais economias, em contexto de desaceleração econômica e de inflação abaixo das metas, tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes”.

O BC alerta, entretanto, que o cenário segue incerto e os riscos associados a uma desaceleração mais intensa da economia global permanecem.

“A resposta foi bem coerente. O grau de estímulo ajuda a gente num primeiro momento. Não tem no cenário internacional obstáculo para continuar a cortar os juros. Mas é um cenário que contém ainda certo grau de risco”, afirmou Jankiel, do Santander.

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