Possível deslistagem de empresas chinesas de Bolsas americanas derruba mercado

Apesar da queda na sessão, Ibovespa acumula quinta alta consecutiva semanal

Júlia Moura
São Paulo

Uma nova escalada na guerra comercial levou os principais mercados acionários a fecharem em queda nesta sexta-feira (27). Segundo a Reuters, o governo americano considera deslistar empresas chinesas da Bolsa de valores dos EUA, como uma forma de barrar investimentos americanos na China.

A notícia levou os índices da Bolsa de Nova York a fecharem em queda, impactando a Bolsa brasileira. O Ibovespa cedeu 0,2%, a 105.077 pontos. O dólar teve leve queda de 0,17%, a R$ 4,157.

O mercado financeiro vinha de pregões positivos nos últimos dias, com a fala do presidente Donald Trump de que um acordo comercial com a China poderia acontecer mais cedo do que as pessoas pensam. Fora que, uma nova rodada de negociações entre os dois lados está programada para acontecer em Washington na primeira quinzena de outubro.

Caso se concretize, a iniciativa de retirar empresas chinesas do mercado acionário representaria uma ofensiva muito maior às tarifas bilionárias aplicadas entre os países.

Segundo dados do governo americano, em fevereiro, havia 156 empresas chinesas listadas no índice Nasdaq, da Bolsa de Valores de Nova York, incluindo pelo menos 11 empresas estatais.

Dentre as principais estão o Alibaba, cujas ações despencaram 5% com a notícia, a US$ 165,98, menor patamar em um mês.

A JD.com, empresa de e-commerce, caiu 6%, a US$ 27,82, menor patamar desde 12 de agosto A Baidu cedeu 3,67%, a US$ 101,21.

Nesta sexta, o principal diplomata chinês, Wang Yi, disse que tarifas e disputas comerciais podem levar o mundo à recessão, e que a China se comprometeu em resolver essas questões de "maneira calma, racional e cooperativa", disse em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Além de novos desdobramentos na guerra comercial, investidores reagiram a desaceleração da economia americana em agosto. Segundo o Departamento de Comércio dos EUA, o gasto dos consumidores cresceu apenas 0,1% com relação a julho, menos que o esperado pelo mercado e o menor ganho em seis meses. 

O índice que mede os preços ao consumidor, com exclusão da volatilidade dos alimentos e energia, também teve alta de apenas 0,1% em agosto, contra uma estimativa de 0,2%.

Com o panorama negativo, os índices da Bolsa de Nova York foram aos menores patamares em três meses. O Nasdaq, que reúne a maioria das empresas chinesas, caiu 1%. S&P 500 recuou 0,5% e Dow Jones, 0,26%.

No Brasil, as maiores quedas da Bolsa foram da Gol e da Smiles. Na véspera a companhia aérea Delta anunciou que vai comprar 20% da Latam e vender sua participação de 12,3% das ações que tem da Gol.

Analistas do mercado veem a operação como negativa para a Gol, que deve buscar a American Airlines,   ex-parceira da Latam como substituta à Delta.

"A saída da Delta do quadro de acionistas é extremamente negativa para a Gol que terá a necessidade de buscar outro parceiro estratégico para o compartilhamento de voos internacionais e ampliação de parceiras em rotas e aeroportos. Outro ponto negativo é a maneira como a saída da Delta será realizada, se via oferta de ações no mercado (follow-on) ou por meio de um block trade (negociação direta com outro player)", diz relatório da Guide Investimentos.

As ações da companhia aérea brasileira despencaram 6,5%, a R$ 32. As ações da Smiles caíram 5%, a R$ 37,50.

O Ibovespa teve queda de 0,2%, a 105.077 pontos. Na semana, há alta de 0,25%, a quinta seguida de valorização.

Nesta sexta, o volume negociado foi de R$ 12 bilhões, abaixo da média diária, algo registrado em todos os pregões da semana.

O dólar terminou a semana estável, a R$ 4,157, depois de oscilar entre R$ 4,19 e R$ 4,12 durante os pregões.

Nesta sexta, o Banco Central anunciou US$ 11,5 bilhões leilões de dólares à vista e swaps reversos, ofertados em lotes diários de 1º a 30 de outubro, "tendo em conta as condições vigentes atualmente no mercado local de câmbio", disse o banco em nota. A venda será casada, sem alterara a posição cambial líquida do BC, com vencimento em 2 de dezembro.

O mercado brasileiro também refletiu os dados do IBGE sobre o desemprego, que se manteve estável em agosto em relação a julho, com uma taxa de 11,8%. A expectativa de economistas ouvidos pela Bloomberg era de que o percentual baixasse para 11,6%.

Investidores também acompanham com os desdobramentos do julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) que pode e levar à anulação de sentenças impostas em casos da Lava Jato e beneficiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

(Com Reuters)

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.