Bolsa sobe 0,8% e volta aos 105 mil pontos

Acordo de Guedes com Legislativo e Campos Neto animam investidores

Júlia Moura
São Paulo

A Bolsa brasileira operou destoada do mercado americano nesta quinta-feira (26). Com alta de 0,8%, o Ibovespa voltou aos 105 mil pontos, patamar que não era alcançado desde que o índice bateu a máxima histórica, em julho.

A valorização foi impulsionada pelo acordo entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), firmado na véspera. 

 Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da Bolsa de Valores de Sao Paulo
Bolsa volta aos 105 mil pontos com otimismo doméstico - Diego Padgurschi / Folhapress

Guedes se reuniu com os líderes parlamentares para acordar o andamento de pautas econômicas, como a cessão onerosa.

Nesta quinta, Alcolumbre e Maia promulgaram nesta emenda à Constituição sobre a questão, que destrava o megaleilão de campos do pré-sal previsto para 6 de novembro. Nele, o governo estima arrecadar R$ 106 bilhões. 

O mercado viu o movimento como positivo, ao sinalizar uma articulação do governo com o Legislativo em prol da agenda econômica.

“Na nossa visão, a reunião é positiva e necessária para que a agenda econômica progrida mais rapidamente. Entendemos que é importante que a janela reformista do primeiro ano de governo não seja desperdiçada”, diz relatório da XP Investimentos.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também mexeu com o mercado nesta quinta ao sinalizar que há espaço para mais cortes de juros. 

Em entrevista coletiva para comentar o relatório trimestral de inflação, Campos Neto sinalizou que a alta do dólar não deve impedir novos cortes na Selic.

"Trabalhamos com câmbio flutuante, o importante para nós é o efeito que o dólar possa ter, em algum momento, via canais de expectativa da inflação", emendou.

Mais cedo nesta semana, ata do Comitê de Política Monetária (Copom) já havia indicado que trajetória calculada pelo BC para a inflação no curto prazo refletia "comportamento benigno de alguns componentes mais voláteis da inflação e dinâmica da inflação importada, cujos vetores altistas têm sido moderados pela trajetória de preços externos".

O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Viana, indicou que, se de um lado houve alta do dólar, de outro, o BC olhou para preços nos mercados internacionais que oscilaram para baixo e representaram fator mitigador, como "commodities e outros".

Viana lembrou ainda que, num ambiente de expectativas de inflação ancoradas e com fraca atividade econômica, o rapasse cambial acaba sendo menor.

"Expectativa é que, nessa conjuntura com ancoragem e hiato aberto, isso persista", frisou ele, ponderando que o quadro pode oscilar ao longo do tempo e é parte do trabalho do Copom fazer essa avaliação e incorporá-la ao seu cenário.

Na semana passada, o BC cortou a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, à mínima histórica de 5,5%, e indicou espaço para novo afrouxamento à frente -- mensagem repetida no relatório de inflação.

"O relatório mostra que a inflação está perfeitamente sob controle e isso permite margem de manobra para o BC executar as politicas monetários que o órgão julgar necessária, o que atinge diretamente os bancos, seja através da queda de juros, menor necessidade de se fazer operações de open market", afirma Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

Sob esta perspectiva, as ações de bancos tiveram fortes altas nesta sessão e levaram o Ibovespa aos 105.319 pontos, maior patamar desde 11 de julho. O giro financeiro foi de R$ 13,7 bilhões, abaixo da média diária para o ano.

Nos Estados Unidos, o mercado acionário reagiu aos desdobramentos do processo de impeachment aberto contra o presidente Donald Trump. Dow Jones caiu 0,3%, S&P 500, 0,24% e Nasdaq, 0,6%.

O DXY, índice que mede a força internacional do dólar, subiu 0,87% desde quarta (25) e foi ao maior patamar desde maio de 2017.

No Brasil, a cotação da moeda americana, subiu 0,16%, a R$ 4,162.

(Com Reuters)

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