Lucro do Bradesco cresce 19,6% no 3º trimestre, a R$ 6,5 bi

Crescimento da subsidiária de seguros e a margem financeira foram os principais destaques do período

Isabela Bolzani
São Paulo

O lucro líquido recorrente do Bradesco totalizou R$ 6,5 bilhões no terceiro trimestre, avanço de 19,6% em relação ao mesmo trimestre de 2018. Descontados eventos extraordinários — como o programa de desligamento voluntário (PDV), por exemplo — o lucro contábil subiu 16,5%, para R$ 5,009 bilhões.

Segundo o relatório divulgado nesta quinta pelo segundo maior banco privado do país, o principal impulso para o aumento do lucro foi o resultado das operações de seguros, previdência e capitalização do banco, que registrou alta de 7,5% no período, para R$ 3,473. Em seguida veio a margem financeira (receita com operações de crédito), que cresceu 5,9%.

De outro lado, apesar de as receitas com prestação de serviços ter apresentado aumento de 3,7% no período e de 2,5% na comparação do acumulado até setembro, essa fonte de receitas é a única que ainda não alcançou as metas de crescimento fixadas pelo próprio banco, de 3% a 7% até o final de 2019.

"As receitas com tarifas estavam pressionadas, mas foram ajustadas nos trimestres anteriores e devem mostrar alguma evolução. Mas em relação às projeções de crescimento para o ano, a expectativa é que esses ganhos fiquem na parte de baixo do intervalo previsto, entre 3% e 4%", avalia o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari Junior.

Logo do Bradesco
Lucro do Bradesco cresce quase 20% no terceiro trimestre - Paulo Whitaker/Reuters

O executivo também reitera que como solução para o ambiente mais competitivo do setor e para melhorar a pressão nas receitas com tarifas e serviços, o banco busca aumentar sua base de correntistas. "A expectativa é positiva e o objetivo é alcançar os 2 milhões de clientes até o final do ano", diz. 

Ainda de acordo com o presidente da instituição, no que diz respeito às despesas relacionadas à operação do banco devem encerrar este ano acima do projetado, refletindo as decisões tomadas no início deste ano, tanto em relação ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) como pela redução no número de agências físicas. 

"É um momento de muitas ações pensadas sobre ações e processos trabalhistas. Já fechamos 150 agências em 2019 e a expectativa é de encerrar pelo menos mais 300 até o final de 2020. É um reflexo do PDV e de ajustes internos para reduzir custos", afirma Lazari. Até o momento, cerca de 3% do quadro de funcionários aderiu ao programa de demissões. O Bradesco também tem renegociado melhores condições para contratos de fornecedores e fechado acordos em disputas trabalhistas.

 Bradesco é o segundo grande banco a divulgar seus resultados referentes ao terceiro trimestre. Na quarta, o Santander divulgou crescimento também de 19% em seu lucro líquido, a R$ 3,7 bilhões.

A carteira de crédito da instituição somou R$ 578,3 bilhões — crescimento de 10,5%. A alta veio principalmente pelo avanço de 19% dos empréstimos voltados para pessoas físicas, que totalizaram R$ 221,4 bilhões. Dentre as linhas oferecidas, os maiores destaques ficaram com crédito pessoal, consignado e financiamento de veículos, que subiram 36,2%, 24,1% e 21,4%.

Da parte dos recursos voltados para pessoas jurídicas, o Bradesco continua a sinalizar o maior foco em micro, pequenas e médias empresas. O segmento avançou 8,3% no período, para R$ 106,5 bilhões, enquanto o montante cedido para as companhias de grande porte subiu 4,8%.

O ambiente mais competitivo e as contínuas reduções das taxas básicas de juros (Selic) também devem trazer uma redução do custo do crédito na ponta. "Os spreads [diferença entre o custo de captação para os bancos e as taxas de juros com as quais emprestam] já estão caindo e devem continuar nessa trajetória, precificando o ambiente de risco menor. É natural", avalia o diretor de relações com o mercado do banco, Carlos Firetti. 

Já índice de inadimplência que mede os atrasos acima de 90 dias, apesar de ter ficado estável em 3,6% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, registrou o maior valor do ano. Ainda conforme informações do relatório, tal avanço é justificado pelo comportamento de casos pontuais na carteira de grandes empreendimentos.

O retorno sobre patrimônio líquido (também conhecido como ROAE) do Bradesco ficou em 20,2% no terceiro trimestre, avanço de 1,2 ponto percentual. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o índice ficou em 20,5%. 

SEGURADORA

O lucro líquido do Grupo Bradesco Seguros, por sua vez, somou R$ 1,885 bilhão no terceiro trimestre, alta de 28,9% em relação a igual período de 2018. Os principais avanços vieram das modalidades de vida, PGBL e VGBL, saúde e capitalização.

Os prêmios ganhos de seguros, contribuição de previdência e receitas de capitalização totalizaram R$ 11,459 bilhões, alta de 6,9% no período. O índice de sinistralidade, porém, alcançou 74,2%, o maior nível desde o primeiro trimestre de 2018, quando estava em 75,1%. 

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