Demora na troca de celular e contrabando deixa mercado de smartphone estagnado

Brasileiros também têm esperado mais tempo para trocar de telefone

São Paulo

A invasão de telefones celulares chineses que entram no Brasil via Paraguai foi um dos fatores que deixaram o mercado de smartphones no país estagnados em 2019.

Também contribuiu para essa estabilidade o fato de os brasileiros estarem esperando mais tempo para trocar de telefone.

E quem está mudando de aparelho tem optado por aqueles de maior valor e tecnologia, o que fez com que o setor vendesse menos, mas faturasse mais neste ano, segundo dados da Abinee (associação da indústria eletroeletrônica).

O crescimento do chamado mercado cinza é estimado em 500% em relação ao ano passado. O Paraguai, que tem uma população de 6 milhões de habitantes, já importou 8 milhões de aparelhos neste ano, sendo que metade desse volume teve como destino final o Brasil.

Pessoas usam celular na estação Sé do metrô, em São Paulo - Danilo Verpa - 25.jul.18/Folhapress

O mercado formal de smartphones, por outro lado, encolheu 7% em 2018 e ficou praticamente estável neste ano, com acréscimo de apenas 200 mil em um universo de 44,7 milhões de unidades.

O número de celulares tradicionais (aqueles que não são smartphones), que vinha recuando nos últimos anos, cresceu 23% em 2019 e representou cerca de 5% do mercado oficial.

Luiz Claudio Carneiro, diretor da área de dispositivos móveis da Abinee afirma que os celulares que entram irregularmente no país são aparelhos de marcas conhecidas e alta tecnologia, cerca de 40% mais baratos, mas que podem apresentar problemas de funcionamento em algumas redes 4G.

“Esses fabricantes não têm a carga tributária e regulatório dos fabricantes nacionais. Uma dessas marcas domina mais de 60% dos telefones contrabandeados”, afirma Carneiro.

A área de telecomunicações, da qual fazem parte dos celulares, deve fechar o ano com crescimento de 6% neste ano, e a expectativa é de avanço de 9% no próximo, segundo a Abinee.

É um dos melhores desempenhos esperados dentro do setor eletroeletrônico, que cresceu 5% neste ano e deve se expandir 8% no próximo em termos de faturamento. Descontada a inflação setorial, os resultados representam estagnação em 2019 e avanço de 4% em 2020.

A produção também ficou estável neste ano. Houve aumento de 1% no nível de emprego e do uso da capacidade instalada de 74% para 75%. A estabilidade de faturamento e produção vem após dois anos de crescimento.

“O momento ainda é difícil, mas as expectativas são boas. No próximo ano, a gente deve ter o início da retomada do setor industrial”, afirmou o presidente da Abinee, Humberto Barbato.

Segundo ele, existem investimentos represados em função, por exemplo, da indefinição da nova lei de informática, que a associação espera ver aprovada no Congresso na próxima semana, para ser sancionada ainda neste ano.

A mudança na legislação é uma exigência da OMC (Organização Mundial do Comércio).

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