Balança comercial registra superávit de US$ 46,7 bilhões, pior resultado desde 2015

Resultado é explicado pela queda mais acentuada nas exportações

Brasília

Por causa de uma queda mais acentuada nas exportações, a balança comercial brasileira fechou o ano passado com superávit de US$ 46,7 bilhões. Esse é o pior resultado desde 2015, quando o saldo foi de US$ 19,5 bilhões.

Em relação a 2018, quando foi registrado um superávit de US$ 58 bilhões, o resultado do comércio internacional brasileiro apresentou um recuo de quase 20%.

A queda é explicada, principalmente, pelo desempenho das exportações, que caíram 7,5% para US$ 224 bilhões.

A foto mostra, de cima, vários contêineres coloridos no porto de Santos (SP).
Vista geral de contêineres do BTP (Brasil Terminal Portuário) no porto de Santos (SP). - Eduardo Knapp - 16.abr.2019/Folhapress

As importações diminuíram, mas em proporção menor. A redução foi de 3,3%, chegando a US$ 177,3 bilhões.

Em 2019, as vendas do Brasil para o exterior recuaram mais em relação a produtos manufaturados (-11,1%). Esse resultado, que compacta com o desempenho do ano anterior, foi puxado pelos embarques de plataformas de petróleo, veículos de carga e automóveis.

As exportações de semimanufaturados e de produtos básicos caíram 8% e 2%, respectivamente.

Dados divulgados pelo Ministério da Economia nesta quinta-feira (2) também mostraram que, no ano passado, o Brasil vendeu menos para Mercosul, América Central e Caribe, União Europeia, África e Ásia.

As exportações subiram apenas para Oceania, para o Oriente Médio e para os Estados Unidos.
 
O resultado da balança comercial em 2019 ficou em linha com a projeção mais recente do Ministério da Economia, de US$ 41,8 bilhões. O saldo, porém, ficou abaixo da avaliação inicial, divulgada no começo do ano passado, de US$ 56,7 bilhões.

Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, o desempenho foi influenciado pelo baixo dinamismo da economia global e do comércio mundial, além de fatores conjunturais, como a crise na Argentina e a febre suína na China, que reduziu as vendas de soja.

O governo ainda não divulgou projeções para a balança comercial de 2020. Isso deve ser feito apenas em abril.

As perspectivas da equipe econômica, contudo, apontam para um cenário externo fraco e o aquecimento da economia interna.

“É natural que a gente espere um crescimento maior das importações do que das exportações”, disse Ferraz. Assim, o saldo do comércio internacional do Brasil tende a recuar.

Ferraz espera ainda que a carne, cuja exportação avançou no fim de 2019, apresente uma demanda forte nos próximos meses, mantendo os preços elevados para o produto.

Para tentar minimizar o resultado da balança comercial no ano passado, o governo argumentou que os Estados Unidos registram déficit comercial há décadas, mesmo sendo uma das principais economias do mundo.

O time do ministro Paulo Guedes (Economia) declarou que tem uma agenda com foco no aumento da chamada corrente de comércio.

A corrente de comércio é a soma de tudo que foi importado e exportado. Esse dado dimensiona o desempenho dos dois lados das transações.

“Não há país que seja grande exportador e que não seja também grande importador”, disse Ferraz.

Mesmo nessa comparação, houve uma queda em relação a 2018, passando de US$ 420,5 bilhões para US$ 401,4 bilhões. Uma redução de aproximadamente 5,5%.

Segundo Ferraz, o Brasil registra, atualmente, uma corrente de comércio entre 23% e 24% do PIB (Produto Interno Bruto). Essa fatia, na avaliação do ministério, deveria ser maior.

O secretário, no entanto, não divulgou uma meta para o aumento das transações comerciais. Isso, de acordo com o governo, seria possível com mais acordos comerciais e com a redução do custo Brasil.

Ele afirmou que o objetivo é aumentar a venda de produtos com maior valor agregado. “Isso pressupõe também um aumento de importação de maior valor agregado”, declarou Ferraz.

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