EUA liberam importação de carne brasileira

Brasil corrigiu problemas que levaram à suspensão em 2017, segundo órgão americano

Brasília e Washington

O Ministério da Agricultura informou nesta sexta-feira (21) que o governo americano liberou a importação de carne bovina in natura do Brasil.

A liberação foi anunciada ao governo brasileiro pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e pelo FSIS (Serviço de Inspeção e Inocuidade Alimentar).

"Uma notícia que esperávamos com ansiedade há algum tempo e que hoje eu tive a felicidade de receber. É uma ótima notícia, porque isso traz o reconhecimento da qualidade da carne brasileira por um mercado tão importante como o americano", disse a ministra da Agricultura, Tereza Cristina

Com isso, o Brasil poderá começar a enviar produtos de carne bovina in natura derivados de animais abatidos a partir desta sexta-feira (21). Mas o governo americano ainda deve enviar uma lista atualizada de estabelecimentos elegíveis certificados.

No comunicado encaminhado ao governo brasileiro, o FSIS disse que o Brasil corrigiu os problemas que levaram à suspensão.

As compras de cortes bovinos do Brasil foram suspensas pelos Estados Unidos em 2017, devido à identificação de abcessos provocados por reações no rebanho à vacina contra a febre aftosa.

Entre os motivos apresentados pelos EUA para manter as barreiras, também estavam problemas no processo de maturação e melhorias na coleta para testes microbiológicos. 

Desde o início do ano passado, a ministra fez reuniões com o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, para tentar liberar o mercado da carne.

Em junho de 2019, uma missão veterinária dos EUA esteve no Brasil para inspecionar frigoríficos de bovinos e suínos. Mas não houve mudança de posição.

Em novembro, a ministra Tereza Cristina viajou aos EUA, mas deixou o país sem conseguir definição de prazo ou procedimento para a reabertura do mercado para a carne bovina in natura brasileira.

Na ocasião, ela se reuniu com Perdue, mas saiu sem respostas sobre quais seriam os próximos passos para que os EUA derrubassem o veto.

Após a reunião, a ministra disse que os americanos dariam um retorno "em breve" sobre as respostas enviadas pelo Brasil ao relatório, mas que isso poderia acontecer "esse mês, no mês que vem ou até no ano que vem."

Durante sua visita a Washington, a ministra tentou ainda dissuadir o governo dos EUA de fazer uma nova inspeção sobre a qualidade de carne brasileira, mas não conseguiu.

As autoridades brasileiras afirmavam que haviam respondido a todas as questões e aguardavam o desdobramento do governo americano.

Diplomatas afirmavam que não havia outra maneira além de esperar e continuar as articulações via embaixada do Brasil em Washington.

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