BRF espera crescer com proibição do consumo de animais silvestres na China

Empresa divulgou nesta terça-feira lucro líquido das operações continuadas de R$ 1,2 bilhão no ano de 2019

São Paulo

A proibição do consumo de animais silvestres na China, após o surto do coronavírus, tem sido vista como uma oportunidade de crescimento para a BRF, a gigante das carnes dona das marcas Sadia e Perdigão. 

“A suspensão do consumo de animais silvestres na China deve aumentar a demanda por alimentos com segurança alimentar maior”, diz Lorival Luz, CEO da BRF, em referência às carnes de frango e porco que são exportadas para o gigante asiático. 

Segundo ele, ainda é muito cedo para conseguir mensurar essa possível alta. “Os resultados ainda são incipientes e não é possível nem dizer uma expectativa”, afirmou. 

A empresa também afirma que ainda não teve problemas logísticos para a exportação para a China. “Todos os embarques, desembarques e entregas foram feitos normalmente”, disse Luz.

Além do otimismo para 2020, a empresa comemora um lucro líquido das operações continuadas de R$ 1,2 bilhão no ano de 2019. No ano anterior, a BRF registrou prejuízo de R$ 2,1 bilhões.

“Depois de três anos de prejuízos, turbulências e indefinição na gestão, na direção e no rumo, a gente entregar um ano com R$ 1,2 bilhões de lucro dá confiança de que estamos no caminho certo”, disse Luz. 

A reestruturação organizacional da BRF começou com a nomeação de Pedro Parente para o cargo de presidente da companhia, em abril de 2018.

Ao assumir, Parente tinha dois principais objetivos: estancar os prejuízos da companhia, que operava no vermelho por causa de erros da gestão anterior, e investigar a fundo as acusações feitas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público contra a empresa.

Em março de 2019, Lorival Luz assume o posto de CEO da empresa e Parente segue como presidente do conselho de administração da companhia. 

“Reduzimos estoque da companhia, mudamos a estratégia de atendimento aos clientes, mudamos a forma de fazer a gestão do mercado internacional, a gestão da estrutura de custo fabril. Foram uma série de iniciativas comerciais, que impactaram a receita”, afirmou.  tudo 

Segundo ele, foi definido uma nova estrutura organizacional e de metodologia de gestão e esse foi o principal condutor do crescimento registrado em 2019.

A alta das carnes no final do ano passado, por exemplo, teve pouco impacto no lucro da empresa. 

“O grande aumento veio das carnes bovinas. Nosso grande volume são frangos e suínos congelados e em produtos processados. Já o aumento da demanda da China, com a febre suína africana, teve um papel importante”, afirmou Luz.
 

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