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Iniciativas convocam público a ajudar bares e restaurantes

Empresários criam páginas em sites de financiamento coletivo para conseguir pagar funcionários

São Paulo

Mais do que conveniência, bares e restaurantes também oferecem experiências, tornam-se pontos de encontro e têm clientes que viram amigos. Por isso, muitas casas estão apelando para o laço afetivo com o público e contam com a sua ajuda para conseguir pagar as contas nos próximos meses.

Muitos estabelecimentos tiveram que adaptar o serviço para delivery ou retirada no local para minimizar os impactos sofridos pelo setor, que emprega mais de 6 milhões de pessoas.

Enquanto aguardam apoio do governo federal e sofrem dificuldades para prorrogar as parcelas de financiamentos com bancos, donos de bares e restaurantes criam páginas em sites de financiamento coletivo a fim de conseguir, ao menos, pagar aos funcionários.

Bar Brahma, popular na cidade, de portas fechadas
Decreto que proibiu o atendimento presencial nos restaurantes de São Paulo começou na terça feira (24) - Adriano Vizoni/Folhapress

Um dos precursores da iniciativa em São Paulo foi o bar Cama de Gato, na região central, que lançou o movimento #SupportYourLocalBar [apoie seu bar local], pelas redes sociais, na terça (17).

A casa disponibiliza vouchers para retirada em julho que dão direito a recompensas como drinques, camisetas e discos a depender do valor escolhido. Na sexta (27), tinha arrecadado mais de R$ 19 mil.

Outros empreendimentos adotaram a medida e criaram páginas próprias. “Não é doação, é uma venda antecipada”, afirma Daniel Pereira, um dos sócios do Fffront, na Vila Madalena. “A gente ficou cheio de pudor para lançar a campanha, mas temos que perder a vergonha de mostrar que também estamos passando por um momento difícil.”

Essas campanhas são feitas através de plataformas como o Abacashi (abacashi.com), onde os negócios recebem o dinheiro do público, mas só podem retirá-lo quando encerrar a campanha.

Nos últimos dois dias, foram lançadas três iniciativas semelhantes: o GGG (gggbrasil.org), o Menu do Amanhã (loja.gaspaindica.com.br) e o Apoie Um Restaurante (apoieumrestaurante.com.br).

Também são sites nos quais os comensais podem adquirir vouchers para consumo após a quarentena, mas funcionam como lojas: listam uma série de estabelecimentos, e cabe ao cliente escolher qual ajudar.

A diferença é que, nessas plataformas, o dinheiro vai direto para o restaurante. Sem cobranças de taxa nas transições, os empreendimentos recebem 100% do valor pago.

O Apoie Um Restaurante é uma iniciativa da Stella Artois que tinha 400 endereços cadastrados no dia da estreia. Agora, passa dos mil, com empreendimentos em mais de 20 cidades. O público compra um voucher de R$ 100, mas paga apenas R$ 50 —quem banca os outros R$ 50 é a própria cervejaria.

Na sexta (27), já havia vendido mais de 10 mil vouchers, R$ 1 milhão. A expectativa da marca é vender 40 mil cupons.

Já o GGG, sigla para Gentileza Gera Gentileza, e o Menu do Amanhã são projetos de pessoas físicas —o primeiro, da jornalista e colunista da Folha Alexandra Forbes, e o segundo do influenciador digital e vencedor do programa Aprendiz Gabriel Gasparini, em parceria com a startup de tecnologia Suflex.

Envolvidos com gastronomia, eles contam que as plataformas não têm fim lucrativo. “Mas também nunca trabalhei tanto”, brinca Gasparini.

O GGG oferece vales-presente com valor único, R$ 150, e, por enquanto, só tem casas paulistanas cadastradas. Lançado na quarta (25), o site havia arrecadado R$ 150 mil até sexta. Com endereços de São Paulo e Rio de Janeiro, o Menu do Amanhã sugere contribuições variadas, pois cada casa pôde criar duas ofertas diferentes para a página. Gasparini conta que havia coletado mais de R$ 25 mil até sexta.

Ambos pretendem expandir para outras cidades.

Não há curadoria ou seleção para entrar nas plataformas —basta solicitar o cadastro. O GGG só não aceita restaurantes de redes multinacionais ou fundos de investimento.

Muitos estabelecimentos aderiram a mais de uma dessas iniciativas, inclusive. “Eles não só podem como devem. Neste momento, a união faz a força”, diz Forbes.

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