Novo modelo de caça coproduzido no Brasil começa a ser feito na Suécia

Versão de dois lugares do Gripen teve desenho dividido com brasileiros; Saab expande presença no país

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São Paulo

A empresa sueca Saab, que irá fornecer os próximos caças da Aeronáutica, iniciou a produção da versão que foi desenvolvida em conjunto com a brasileira Embraer Defesa e Segurança da aeronave Gripen.

Trata-se do modelo F, com dois assentos. A atual geração do Gripen já tem voando em testes seis aviões para um piloto, o modelo E, inclusive o primeiro que será enviado para o Brasil neste ano e entregue à Força Aérea em 2021.

Primeiro Gripen da Força Aérea Brasileira é apresentado em Linköping, na Suécia, em setembro
Primeiro Gripen da Força Aérea Brasileira é apresentado em Linköping, na Suécia, em setembro - Stefan Jerrevang - 9.set.2019/TT News/Reuters
O modelo de dois lugares foi uma encomenda brasileira. Quando o negócio foi assinado, em 2014, o governo pediu 28 caças de um lugar e 8, bipostos, dedicados principalmente para treinamento.

O fim do acordo entre Boeing e Embraer, para a aquisição da linha de aviação comercial da brasileira, em nada influencia a parceria —a área militar da empresa paulista já iria permanecer independente e nacional nos termos do acerto fracassado.

O desenho do avião ficou a cargo de um time conjunto da Saab e da Embraer, além de outras empresas envolvidas na produção, no centro que a empresa sueca montou na unidade da fabricante paulista em Gavião Peixoto.

O primeiro corte de peça metálica da estrutura ocorreu no mês passado em Linköping, sede da Saab na Suécia. A expectativa é que cerca de 15 aviões sejam montados no interior de São Paulo, e que possam integrar a cadeia de produção do caça em caso de novos contratos.

Há hoje cerca de 250 Gripen voando em seis Forças Aéreas do mundo. A Suécia encomendou 60 modelos E e o Brasil, o lote misto de E e F com 36 unidades, ao preço de 39 bilhões de coroas suecas (R$ 21,3 bilhões hoje), com um financiamento de 25 anos.

O modelo E está sendo ofertado a diversos países, como Canadá e Colômbia, e o F também está em uma disputa na Finlândia. Cerca de 400 engenheiros, suecos e brasileiros, trabalham conjuntamente no desenvolvimento da aeronave.

A Saab, que tem uma fábrica de peças de fuselagem para o Gripen montada em São Bernardo do Campo, vai ampliar sua presença no Brasil com a compra de uma empresa da qual era parceira estratégica, a Atmos Sistemas.

No fim do mês, deve concluir o negócio, noticiado nesta quarta (29) pelo jornal Valor Econômico, . A Atmos é uma empresa pequena, de 16 funcionários, que fornece equipamentos como radares climáticos e suporte na área.

No caso do Gripen, ela será responsável pela manutenção de sistemas de guerra eletrônica e de radar do avião, mas não irá fornecer partes para ele.

Com isso, a ideia da Saab é ter capacidade de manter uma base de serviço pós-venda de seu produto e para outros modelos no Brasil, tanto para a FAB quanto para eventuais clientes na região.

Os valores da transação não foram divulgados. Hoje, a Saab já controla 40% da Akaer, empresa de engenharia aeroespacial que participa ativamente do projeto da nova geração do Gripen, tendo projetado a nova fuselagem traseira do avião.

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