Jorge Paulo Lemann diz que crise deve ser enfrentada com calma e inovação

Para bilionário, situação imposta pela pandemia durará 'mais do que muitos imaginam'

São Paulo

O empresário Jorge Pauo Lemann, 80, afirmou no último sábado (9) que a atual crise econômica, provocada pela pandemia de coronavírus, deve ser enfrentada com calma e com capacidade de adaptação. Para o bilionário fundador da 3G Capital, a atual crise "será mais longa do que a maioria pensa".

Acionista da AB Inbev e da Kraft Heinz, Lemann participou, por vídeo conferência, da Brazil Conference at Harvard & MIT. O empresário afirmou que passou por ao menos 11 crises ao longo de sua carreira, entre as causadas por problemas econômicos e de saúde.

Jorge Paulo Lemann, fundador do 3G Capital e da Fundação Estudar, na sede da ONG Gerando Falcões em Poá (SP) - Bruno Santos - 12.fev.19/Folhapress

"Minha família era relativamente rica porque tinha plantações de cacau, mas veio uma doença e as destruiu nos anos 1960. Depois, o primeiro grupo do qual eu fiz parte no mercado financeiro era formado por egressos da Harvard Business School. Eu pensava que eles eram ótimos, mas quebramos em três anos. Eu tinha 26 anos."

Em abril, em conferência organizada pelo Fórum da Liberdade, Lemann já havia dito que crises são os melhores momentos para oportunidades.

O empresário mencionou também que passou por uma grande crise no mercado de ações logo que começou a operar, em 1971, e que descobriu sérios problemas no coração aos 54 anos.

"Eu pensava que era o cara mais saudável do mundo e de repente tive de ficar um ano fora de ação na cama. Tive que me ajustar a isso e aprender a lidar com a vida de maneira diferente", disse.

"Sempre enfrentei com calma [as crises]. Acho que esta crise, embora pareça que será mais longa do que a maioria pensa, derá um desenlace. Fique calmo, se adapte, inove a maneira de pensar, descubre novas formas de agir, mas continue. Se você continuar, vai saber como sair da crise", afirmou durante a conferência.

Ao comentar a compra da cervejeira SAB Miller, realizada em 2015, Lemann afirmou que pagou mais do que o ativo valia.

"Fomos um pouco ambiciosos demais cinco anos atrás, ao fazer uma grande compra, a da SAB Miller. Nós pagamos caro por aquilo e isso também tirou o nosso foco do negócio para lidar com novas coisas, com uma nova companhia. Isso dificultou as coisas um pouco, mas estamos consertando isso.Ter de lidar com esse problema nas atuais circunstâncias, com o vírus, faz as coisas um pouco mais difíceis, mas estamos confiantes."

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.