Descrição de chapéu Financial Times

Ações de empresas de turismo e de aéreas europeias despencam com novas restrições

Incertezas representam mais um golpe para os setores, que vêm enfrentando uma crise sem precedentes

Londres | Financial Times

As ações das maiores companhias de aviação e de turismo da Europa despencaram na segunda-feira (27), quando a adoção de novas restrições de viagem agravou as dúvidas de que a crise que varreu o setor esteja se encaminhando a uma solução.

A easyJet, uma companhia de aviação de baixo custo, sofreu a maior queda entre as empresas do setor, com mais de 10% de baixa, enquanto o IAG, que controla a British Airways, sofreu queda de 8% e a Lufthansa, da Alemanha, caía em 6%.

Diversos países europeus impuseram novas restrições de viagem, depois do aumento do número de casos da Covid-19 registrado em algumas partes do continente, o que representou um golpe significativo contra as esperanças de uma recuperação para o setor de turismo no final do verão do hemisfério norte.

Reino Unido e França divulgaram alertas sobre viagens a determinadas regiões da Espanha, e os britânicos que retornem de viagens de férias ao litoral espanhol agora devem passar por confinamento em casa por 14 dias, depois de um salto no número de infecções registrado em três áreas.

O Reino Unido defendeu sua decisão de impor regras de quarentena sem aviso prévio, anunciada no final de semana, afirmando que havia sido forçado a agir “rapidamente” depois de ver os dados divulgados no final da semana passada que mostravam alta rápida no número de contágios em certas regiões da Espanha.

“Tivemos de tomar a decisão de agir com muita rapidez e de modo decisivo”, disse Helen Whately, ministra da Saúde e cuidados sociais do Reino Unido à rede de TV BBC, acrescentando que o governo “agiria” caso o número de contágios subisse em outros países europeus.

A decisão britânica causou uma resposta irritada de Madri, que insistiu em que a pandemia estava sob controle.

A ministra do Exterior espanhola Arancha González Laya declarou que o governo de seu país agora pretendia se concentrar em obter isenções pata as ilhas Canárias e Baleares, duas regiões turísticas populares nas quais o número de casos é mais baixo.

As novas incertezas representam mais um golpe para o setor de aviação, que vem enfrentando uma crise sem precedentes.

As ações da Ryanair caíram em 5%, depois que a companhia reportou prejuízos, na segunda-feira, e advertiu que uma nova onda de infecções no quarto trimestre “era o nosso maior medo, agora”.

O IAG anunciou na sexta-feira que estava considerando emitir direitos de ações em valor de até 2,75 bilhões de euros a fim de fortalecer seu balanço. A companhia também planeja cortar 30% de sua força de trabalho na British Airways, e havia alertado anteriormente que “esta é a maior crise que a empresa já enfrentou”.

O Tui, o maior grupo de turismo da Europa, registrou queda de mais de 11% em suas ações e anunciou que cancelaria suas viagens à parte continental da Espanha até 9 de agosto, e ofereceria reembolsos ou oportunidades de remarcar viagens aos viajantes afetados.

Financial Times, tradução de Paulo Migliacci

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