Entregadores marcam protesto em shoppings de São Paulo no sábado

Manifestação está prevista para quatro pontos da capital e em outras cidades

São Paulo

Entregadores de aplicativos marcaram para a manhã deste sábado (25) protestos em pontos descentralizado de São Paulo no movimento que ficou conhecido como 'Breque dos Apps'. Em grupos de WhatsApp, eles divulgam piquetes em quatro regiões, em Osasco e no ABC.

A ideia é chamar a atenção de consumidores e de empresas sobre condições de trabalho, agravadas durante a pandemia de coronavírus. Também estão marcados protestos em Brasília, Rio de Janeiro, Florianópolis, Aracaju e Pernambuco.

Em São Paulo, a concentração está programada para as 10h no Shopping Boulevard Tatuapé (zona leste), Morumbi Shopping (zona sul), Center 3 (av. Paulista) e Center Norte (zona norte). Em Osasco, os entregadores devem se reunir na frente do Shopping União; na região do ABC, no São Bernardo Plaza Shopping.

A categoria também marcou um encontro geral às 15h no estádio do Pacaembu.

A mobilização de entregadores é um movimento difuso e, como na primeira manifestação, no dia 1º de julho, diferentes pautas aparecem e pontos de concentração diversos são disseminados.

O protagonismo do ato não é sindical, ligado a associações ou ao pedido de CLT, embora haja uma parcela que defende esse regime e que apoie a manifestação. Quem puxa o protesto são entregadores que se organizaram em momentos anteriores no Rio, em Brasília e São Paulo.

Eles pedem taxas maiores (alegam que a situação financeira piorou na pandemia), fim dos bloqueios chamados de injustificados, seguro contra acidente e um preço mínimo único aos apps.

O Sindimoto (sindicato dos motoboys), que se uniu a entregadores no dia 1º e fez um protesto no dia 14 de julho, diz apoiar “qualquer manifestação contra a precarização”, mas afirma que não vai participar como da outra vez, que levou um carro de som.

O sindicato tentou fazer uma mediação com as empresas no TRT no dia 14, mas a audiência não aconteceu por problemas técnicos e uma nova data não foi remarcada. Os motoboys do sindicato são apoiadores do modelo CLT.

Segundo pesquisa do Ibope encomendada pelo iFood, 70% dos entregadores dizem que querem um “sistema de trabalho flexível –no qual é possível escolher em quais dias da semana e horários trabalhar, podendo atuar com vários aplicativos e definir a melhor forma de compor sua renda”.

As principais empresas que são alvo de crítica dos entregadores são Rappi, iFood, Uber Eats e Loggi —as mais populares. De modo geral, elas dizem que oferecem preço mínimo por entrega, seguro em caso de acidente, parceria com clínicas médicas e que não excluem de forma deliberada de suas plataformas.

Elas também afirmam que não reduziram taxas pagas durante a crise de Covid. O iFood, por exemplo, diz que não aumentou o número de cadastrados no app durante a pandemia e que, portanto, não diluiu as entregas e os preços pagos.

A Rappi afirma que fez alterações em seu critério de pontuação no app para atender uma demanda da categoria, passando o acúmulo de pontos de semanal para mensal.

Nesse sistema, motoristas precisam atingir um número de corridas para conseguir atender pedidos em regiões que remuneram mais. Eles dizem que isso joga a remuneração para baixo, pois estimula que fiquem disponíveis em apenas em um aplicativo (grande parte se cadastra em várias plataformas ao mesmo tempo).

Motoboys também reclamam da dificuldade para conversar com as plataformas e do acesso a itens de higiene, que foi aperfeiçoado por algumas empresas.

Reivindicações dos entregadores

  • Melhores taxas nas corridas (alegam que com a entrada de novos entregadores o preço caiu em todos os aplicativos)

  • Preço mínimo por corrida unificado a todas as plataformas

  • Seguro contra acidente

  • Fim dos bloqueios chamados de injustificados

A ABO2O (Associação Brasileira Online to Offline), que reúne startups de mobilidade urbana e delivery, diz que desde o início da pandemia os aplicativos de entregas implementaram formas para garantir a segurança dos profissionais, com seguro contra possíveis acidentes durante a realização de entregas e distribuição de kits de proteção (com máscaras e álcool em gel).

“As plataformas reiteram que não houve redução de valores e disponibilizam de forma transparente as taxas e valores destinados para os entregadores”, afirma a associação, acrescentando que a crise pandemia gerou o fechamento de quase 5 milhões de postos de trabalho.

O que dizem as empresas

  • Dispõem de medidas de segurança, como orientação e distribuição de álcool em gel e máscaras (ou verba para adquirir os itens)

  • Oferecem seguro contra acidentes e parceria para atendimento médico

  • Não reduziram taxas durante a pandemia

  • Não excluem da plataforma de modo deliberado

  • A Rappi diz que revisou parte de seu sistema de pontuação

Os entregadores se reuniram com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) no último mês, que prometeu pautar projeto de lei. Na reunião, eles afirmaram que 59% dos motoristas tiveram queda remuneratória durante a pandemia e que chegam a 5 milhões no Brasil.

Na sexta, o Breque dos Apps chegou a ser o assunto mais comentado no Twitter, apenas atrás de Roberto Jefferson, que teve a conta bloqueada.

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