Descrição de chapéu The New York Times

Receita digital do New York Times excede receita impressa pela primeira vez

Empresa tem salto de assinantes no segundo trimestre; receita publicitária caiu em 32% na parte digital do negócio, e em 55% na parte impressa

Nova York | The New York Times

Em um trimestre dominado pela pandemia e pela desaceleração na publicidade, a The New York Times Co. pela primeira vez anunciou receita trimestral que deveu mais a produtos digitais do que à versão em papel do jornal.

Com boa parte de sua equipe trabalhando de casa, o The New York Times obteve US$ 188,5 milhões em receita com assinaturas e anúncios digitais no segundo trimestre de 2020, a companhia anunciou na quarta-feira (5). Para a versão impressa, a receita foi de US$ 175,4 milhões.

A companhia adicionou um total líquido de 669 mil assinantes digitais, tornando o segundo trimestre o seu melhor em termos de crescimento da base de assinantes. A publicação tem um total de 6,5 milhões de assinantes, 5,7 milhões dos quais exclusivamente digitais, o que coloca a companhia no caminho de cumprir sua meta declarada de atingir os 10 milhões de assinantes em 2025.

Em comunicado, Mark Thompson, o presidente-executivo da The New York Times Co., classificou a transição da receita impressa para a receita digital como “um importante marco na transformação do The New York Times”.

Prédio do jornal americano The New York Times, em Nova York - Angela Weiss/AFP

Atrair assinantes dispostos a pagar por conteúdo online é uma tarefa complicada que praticamente todas as empresas do ramo de notícias estão tentando realizar. O The New York Times começou a cobrar pelo acesso ao seu conteúdo digital em 2011, quando pedir aos leitores que pagassem pelo que liam em suas telas era visto como uma aposta arriscada.

“Provamos que é possível criar um círculo virtuoso”, disse Thompson no comunicado, “no qual investimento confiante em jornalismo de alta qualidade gera um profundo engajamento da audiência, o que por sua vez propele o crescimento da receita e uma ampliação ainda maior do investimento”.

No mês passado, o The New York Times anunciou que Thompson, antigo diretor geral da BBC, deixaria a companhia depois de oito anos. Ele será sucedido no dia 8 de setembro por Meredith Kopit Levien, que está na empresa desde 2013, mais recentemente como vice-presidente de operações, e se tornará presidente-executiva.

O lucro operacional ajustado foi de US$ 52,1 milhões no segundo trimestre, uma queda de 6,2% ante o resultado do período no ano passado, que foi de US$ 55,6 milhões.

A pandemia criou desafios para o setor de notícias em abril, maio e junho, já que empresas de diferentes setores cortaram seus gastos de marketing, o que resultou em redução forte na publicidade e em dezenas de milhares de licenças não remuneradas, cortes de salários e demissões nas organizações de mídia.

Na The New York Times Co., a receita publicitária caiu em 32% na parte digital do negócio, e em 55% na parte impressa, ante o período equivalente no ano passado. A receita publicitária total caiu a US$ 67,8 milhões, ante US$ 120,8 milhões, ou 44%. O número ficou aquém do declínio de entre 50% e 55% previsto por executivos da companhia em maio.

O The New York Times demitiu 68 empregados em junho, a maioria deles na área de publicidade, incluindo todos os empregados de sua agência experimental de marketing, Fake Love, que foi fechada. A redação e o departamento de opinião não foram afetados pelos cortes.

A sede da empresa, na região central de Manhattan, praticamente fechou em março por causa da pandemia, e o pessoal da empresa foi informado que não precisará voltar ao escritório antes de janeiro.

A alta no número de assinaturas digitais no trimestre provavelmente se relaciona ao forte interesse por notícias sobre a pandemia, aos protestos generalizados contra o racismo e a violência policial iniciados em maio, e à campanha presidencial de 2020.

Levien disse em uma conversa com analistas na quarta-feira que o jornal teve em média 130 milhões de leitores digitais por mês durante o trimestre, de acordo com a Comscore, uma ligeira queda ante o forte pico registrado em maio, mas ainda assim 32% acima do total do segundo trimestre de 2019.

“Não antecipamos que os picos excepcionais de audiência vistos nos primeiros meses do coronavírus durassem para sempre, mas sabemos também que estamos entrando nos meses finais e decisivos da eleição presidencial”, ela disse.

A companhia registrou 493 mil novas assinaturas para seu “produto noticioso básico”, no trimestre. Os apps de culinária e de palavras cruzadas, bem como outras ofertas digitais, trouxeram 176 mil assinaturas adicionais.

Mencionando a pandemia, a companhia ofereceu uma perspectiva sombria sobre a receita publicitária do terceiro trimestre, projetando um declínio de 35% a 40%. Na receita de publicidade digital, o The New York Times anunciou que antecipava queda de 20% ante o terceiro trimestre do ano passado. Isso representaria uma melhora diante da queda do segundo trimestre.

A receita gerada pela circulação digital cresceu em 29,6% no trimestre, para US$ 146 milhões, ante o período em 2019. A receita com a circulação impressa caiu em 6,7%, para US$ 147,2 milhões. A companhia atribuiu a queda a uma redução nas vendas em banca; a receita com assinaturas para entrega se manteve estável.

A receita total de circulação subiu em 8,4%. A companhia anunciou que antecipava que a receita total com assinaturas subisse em 10% e a receita com assinaturas digitais subisse em 30% no novo trimestre. Os custos operacionais totais, ajustados, caíram em quase 8% no segundo trimestre, para US$ 351,6 milhões, com um declínio de 36% nos custos de marketing e vendas.

Uma categoria que a empresa define como “despesas de mídia” – e indica seus gastos para promover assinaturas – sofreu queda de mais de 50% no trimestre, de US$ 33,9 milhões para US$ 16,5 milhões. Enquanto sofria perdas com os cortes de despesas de marketing por outras companhias, a The New York Times Co. adotou providências semelhantes.

Tradução de Paulo Migliacci

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