Turismo despenca na Bolsa com avanço da Covid-19 na Europa

Gol e Azul caem cerca de 8%, e CVC, 4,4%; Ibovespa recua para 96 mil pontos

São Paulo

Nesta segunda-feira (21), empresas ligadas ao setor de turismo tiveram forte queda nas Bolsas de Valores globais com o avanço da Covid-19 na Europa. O índice de ações viagens e lazer da região caiu 5,2% e, no Brasil, os papéis da Gol caíram 8,5%, a R$ 18,40 e os da Azul, 7,8%, a R$ 26. Embraer teve queda de 4,8% (R$ 6,36) e CVC de 4,4% (R$ 16,52).

Além disso, as ações de bancos tiveram fortes quedas após reportagens denunciarem cerca de US$ 2 trilhões (R$ 10,80 trilhões) em transferências suspeitas por grandes credores.

O Ibovespa cedeu 1,3%, a 96.990 pontos, menor patamar desde 3 de julho. O dólar subiu 0,4%, a R$ 5,40, maior valor desde 31 de agosto. O turismo está a R$ 5,70.

Operador da Bolsa de Nova York (Nyse)
Operador da Bolsa de Nova York (Nyse); Bolsas fecharam em queda nesta segunda (21) - Drew Angerer/Getty Images/AFP

Nos Estados Unidos, S&P 500 caiu 1%, Dow Jones, 1,8% e Nasdaq, 0,13%. O índice europeu Stoxx 600 recuou 3,3%, pior queda em três meses. Ainda pesa o impasse no Congresso americano sobre uma nova ajuda fiscal e a disputa presidencial.

No domingo (20), o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, disse que um segundo lockdown nacional seria possível. Se a pandemia continuar no ritmo atual no Reino Unido, projeções indicam até 50 mil novos casos de coronavírus por dia até meados de outubro.

Nesta segunda, o primeiro-ministro Boris Johnson marcou uma reunião de emergência para esta terça (22) para discutir os próximos passos no combate ao aumento de casos do coronavírus. Johnson também deve fazer um discurso no parlamento abordando o tema na terça.

Na sexta, o primeiro-ministro disse ele não quer outro lockdown nacional, mas que novas restrições podem ser necessárias porque o país enfrentaria uma inevitável segunda onda de Covid-19.

"Londres tem um peso simbólico para aviação global, com rotas vindas da Ásia e América do Norte. Nova York para Londres é uma rota nobre. Se esperava um aumento do turismo agora no verão europeu, mas, com restrições na França, Espanha e Inglaterra, a demanda pode não ser mais a mesma", diz Ilan Abertman, analista da Ativa Investimentos.

Segundo Abertman, a expectativa de recuperação das empresas de turismo brasileiro está longe da demanda real. "Vemos um descompasso muito grande, longe de ser aquilo que Azul, Gol e CVC estimam para o final do ano".

A agência de estatísticas do Reino Unido disse que por volta de 6 mil pessoas por dia, apenas na Inglaterra, provavelmente pegaram a doença durante a semana de 10 de setembro, com base em testes aleatórios.

O Reino Unido teve o maior índice de mortes da Europa por Covid-19, com mais de 41 mil, segundo a contagem do governo.

O aumento recente de infecções ainda não levou a um crescimento similar em novas mortes - em parte porque os casos estão concentrados entre pessoas mais jovens -, mas as internações hospitalares estão começando a crescer.

Mais de 10 milhões de pessoas em partes do norte e da região central da Inglaterra já estão sob alguma forma de lockdown, como proibição de convidar amigos ou familiares para suas casas, ou visitar bares e restaurantes depois das 22h.

De acordo com profissionais do mercado financeiro, as bolsas vinham em recuperação bastante forte, principalmente em Nova York, mas o noticiário atrelado ao Covid-19, principalmente de vacinas, não trouxe novidades relevantes mais recentemente.

"Tudo vira motivo pra realizar lucros", afirmou o gestor Werner Roger, sócio-fundador da Trígono Capital, que vê a vacina contra o coronavírus ainda demorando.

O avanço do coronavírus também impactou o preço do petróleo, que cedeu 3,22%, a US$ 41,76 o barril do Brent (referência internacional). Além disso, investidores temem uma possível retomada na produção da Líbia, que ampliaria o excesso de oferta da matéria-prima.

As ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras cederam 3,46%, a R$ 20,90. A Vale caiu 2,7%, na esteira da queda dos futuros do minério de ferro na China.

A Cury, da Cyrela, fechou em alta de 1,18%, a R$ 9,46, em sua estreia na B3, após precificar IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) na última quinta-feira (17) a R$ 9,35 por ação, abaixo da faixa estimada, em operação que movimentou quase R$ 1 bilhão. No pior momento da sessão, o papel chegou o cair 6,7%.

Já a Vulcabras avançou 6,6%, a R$ 6,48, após acordo com a Alpargatas para a compra da unidade de negócio relativa à operação da marca 'Mizuno' no Brasil, pela qual pagará R$ 32,5 milhões. Alpargatas teve elevação de 2,86%, a R$ 36,00.

Na Bolsa da Alemanha, o Deutsche Bank derreteu 8,7%, a 7 euros, após relatórios apontarem que o banco alemão e demais instituições financeiras, como o HSBC, teriam ajudado suspeitos de terrorismo, traficantes de drogas e autoridades estrangeiras corruptas a movimentar trilhões de dólares em todo o mundo, apesar das preocupações dos próprios bancos sobre a natureza suspeita das transações.

Os documentos, conhecidos como relatórios de atividades suspeitas (SARs, na sigla em inglês), foram obtidos pelo BuzzFeed News e compartilhados com um consórcio mundial de jornalistas. Os mais de 2.100 relatórios, apresentados pelos principais bancos dos Estados Unidos e internacionais, referem-se a mais de US$ 2 trilhões em transações entre 1999 e 2017.

(Com Reuters)

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