Grupo Soma fecha acordo para compra da grife digital NV, da blogueira Nati Vozza

Os papéis da Soma registravam aumento de 11,92% na B3 na tarde desta segunda-feira (26)

São Paulo

Nem Amaro, nem Richards, nem Le Lis Blanc. A primeira compra do grupo carioca de moda Soma, que em julho levantou R$ 1,8 bilhão em um IPO (oferta pública inicial de ações) que colocou na bolsa suas marcas Animale, Farm, Cris Barros e Maria Filó, é a NV, da blogueira campineira Nati Vozza.

Os últimos detalhes de um memorando de entendimentos ao qual a Folha teve acesso foram fechados na última sexta (23), e consistem no pagamento de dinheiro e ações transferidos para os empresários Natalia Vozza e Antônio Junqueira, sócios na NV. Ainda não há informações sobre os valores da transação, que ainda depende de uma auditoria e da aprovação definitiva do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

O documento informa, porém, que os novos sócios poderão “fazer jus a um valor adicional, a ser pago até 2026, caso a marca supere o plano de negócios firmado entre as partes”, e que, com a transação, planejada para ser concluída em até 60 dias, os sócios da NV passam a fazer parte do bloco de controle do grupo.

Moda - DaHora 08/07/2018 - blogueira - boina - Nati Vozza
A blogueira Nati Vozza - Reprodução

As primeiras conversas entre o grupo e a marca começaram antes da pandemia, e evoluíram após um entendimento de que houve “um crescimento acelerado para uma marca com poucos anos de existência”.

Conhecida como NV by Nati Vozza, a etiqueta foi fundada em 2010, atinge um público feminino jovem adepto de tendências e tem um tíquete médio elástico, que vai de R$ 138 (camiseta) a R$ 3.798 (calça de couro).

O faturamento da NV, que é essencialmente focada em vendas no e-commerce e em plataformas de redes sociais, foi de R$ 100 milhões em 2019. Neste ano, a grife de roupas planeja faturar R$ 170 milhões. O valor foi alcançado com apenas cinco lojas físicas e uma estratégia online agressiva.

Apesar de a marca não ter sido uma das primeiras a figurar na lista de apostas do mercado, a transação vai de acordo com a ideia do grupo de abocanhar o mercado digital, seara ainda pouco explorada pelos players de moda brasileiros e que, com o isolamento, tornou-se cabal para a manutenção dos negócios em um cenário de varejo físico interditado.

O objetivo da transação, segundo o documento, é aportar ferramentas tecnológicas ao que chamaram de novo “unicórnio” do grupo, e “a uma impressionante audiência conquistada organicamente pela NV em meios digitais”.

Após o comunicado oficial feito ao mercado, por volta das 10h30 desta segunda-feira (26), as ações SOMA3 chegaram a saltar 14%, sendo negociadas a R$ 10,20. Às 15h33, o papel registrava aumento de 11,92% na B3, com valor unitário de R$ 9,96.

O anúncio ocorre três dias após o mercado ter sido pego de surpresa com a associação entre a Arezzo & Co. e o grupo carioca Reserva, que assim como o Soma se intitula uma “house of brands”, ou seja, um conglomerado de marcas especializadas no segmento do varejo premium.

O negócio, avaliado em R$ 715 milhões, é mais um ingrediente na competição acirrada a partir de agora entre os dois grupos, que, segundo corre no mercado, disputam ainda ativos relevantes como a varejista on-line Amaro, do franco-suíço Dominique Olivier, e a de lingerie Hope, da empresária Sandra Chayo. A Osklen, controlada pela Alpargatas, também estaria na mira de Roberto Jatahy e de Alexandre Birman, presidentes do Soma e da Arezzo, respectivamente.

Ironicamente, trata-se de um momento dourado em um período sombrio para fusões e aquisições de marcas de moda. O segmento foi o primeiro a sofrer os efeitos da pandemia, mas também o primeiro a aquecer após o relaxamento das restrições impostas ao comércio.

Novas aquisições devem ocorrer nos próximos meses e, a depender de como o varejo de moda responderá às vendas de Natal e aos primeiros meses de 2021, quando os grupos terão uma ideia clara da disposição do consumidor para a compra das coleções de inverno, o movimento pode ser acelerado.

Até o fechamento desta edição, o grupo Soma não havia respondido aos pedidos de entrevista.


R$ 100 milhões
foi o faturamento da NV em 2019

R$ 170 milhões
é a previsão de faturamento em 2020

5 lojas físicas
em que a marca está presente; o foco está no ecommerce e nas redes sociais

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