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Startup brasileira é a única da América Latina em lista de impacto global no ensino

Plataforma de conteúdo Hotmart, criada em Belo Horizonte, oferece 260 mil cursos em todas as áreas

Beatriz Montesanti
São Paulo

Plataforma de conteúdo educacional online, a Hotmart foi a única startup da América Latina a figurar na lista GSV Global EdTech, que selecionou as 50 empresas com maior impacto global no ensino usando tecnologia.

Entre outras iniciativas selecionadas, estão as americanas Coursera, Udemy e Duolingo. As duas primeiras oferecem cursos online, nas áreas de tecnologia e computação, a terceira é um aplicativo para ensino de línguas que acaba de iniciar suas operações no Brasil.

Os Estados Unidos são o país com a maior presença na lista —ao todo, 17 empresas são americanas. Na sequência está a China, com 16 startups listadas.

João Pedro Resende, cofundador da Hotmart, na sede da empresa em Belo Horizonte
João Pedro Resende, cofundador da Hotmart, plataforma que disponibiliza conteúdo educacional - Divulgação

Segundo o fundo de investimento GSV, resposável pela publicação, foram avaliados para a criação do ranking o impacto educacional, a base de alunos, escala dos negócios e o alcance global. As empresas selecionadas alcançam juntas 2,7 bilhões de pessoas no mundo.

"É muito bom o reconhecimentos de uma empresa brasileira como líder mundial em seu setor. Isso é raro, na educação, nem se fala", diz João Pedro Resende, cofundador da Hotmart. "Na lista estão empresas que de fato admiramos muito e isso coloca o Brasil como um lugar para as pessoas olharem, com tecnologia boa a nível mundial sendo criada."

A Hotmart funciona como uma plataforma de conteúdos digitais, conectando produtores e pessoas interessadas em aprender sobre um determinado assunto.

Não há um filtro de qualidade para o conteúdo disponibilizado, nem para o formato. Há no site cursos sobre costura, confeitaria e marketing, entre outros assuntos. Eles podem estar disponíveis como ebooks, podcasts ou vídeos.

Há uma política de notas e reembolso no caso de insatisfação do cliente, além de um canal de denúncias. A Hotmart fica com um percentual de cada venda de conteúdo feita no site.

A plataforma também oferece capacitação para produção de conteúdo digital para quem estiver interessado em monetizar um conhecimento, mas não sabe como.

A empresa foi criada em Belo Horizonte há dez anos, a partir da experiência de um de seus fundadores, João Pedro Resende, de impulsionar blogs usando estratégias de SEO (sigla em inglês para otimização de motores de busca).

Em fevereiro de 2011, faturou R$ 180 com a ideia, quando ele e o sócio, Mateus Bicalho, decidiram largar seus respectivos empregos para investir no negócio. Depois disso, ainda ganharam um concurso de startups promovido pelo Buscapé, que se tornou o investidor-anjo.

Hoje a empresa tem mais de 20 milhões de usuários e 200 mil produtos disponíveis, com escritórios em outros seis países. O maior crescimento, no entanto, se deu nos últimos meses, durante o período da pandemia —a startup vendeu até agora 100% a mais em relação ao mesmo período em 2019. Dos atuais 780 funcionários, 250 foram contratados este ano.

"Já vinhamos em ritmo forte de crescimento. Chegou na pandemia, as coisas foram muito mais rápido que estávamos imaginando. Foi mais que o dobro do esperado", diz o cofundador. Para ele, o período de isolamento apenas acelerou um processo de digitalização que já estava em curso.

"Muita gente foi exposta pela primeira vez ao aprendizado online. O que a gente acha que vai acontecer, mesmo tudo voltando ao normal, é que boa parte desse crescimento vai ser preservado. As pessoas descobriram que há a possibilidade de aprender online."

De acordo com o GSV, o setor de educação digital movimenta hoje US$ 160 bilhões —e os números cresceram mundialmente devido à pandemia, com mais pessoas em casa buscando formação por meios online. Há hoje 20 unicórnios do setor no mundo, termo para se referir a startups que valem mais de US$ 1 bilhão. Há cinco anos, não havia nenhum.

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