13º salário vai injetar R$ 215 bilhões na economia, diz Dieese

Projeção diverge da feita pela confederação do comércio, que calcula entrada de R$ 208 bilhões

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São Paulo

Ao fim deste ano, o pagamento do 13º salário terá colocado na economia brasileira valores entre R$ 208 bilhões, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), e R$ 215 bilhões, de acordo com estimativa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

O prazo máximo para as empresas fazerem esse pagamento é o dia 20 de dezembro –e muitas podem ter dificuldades de caixa para acertar essa conta, como a Folha mostrou nesta quarta (11).

Quem decide pagar o abono em duas parcelas tem até o dia 30 de novembro para depositar a primeira parte. A primeira parcela do 13º costuma ser a maior, pois não tem descontos, como a contribuição previdenciária ou Imposto de Renda, que incidem sobre a segunda parcela.

A CNC estima que a injeção de recursos terá um recuo de 5,4% neste ano, já descontada a inflação, na comparação com o ano passado. A confederação considera que o valor médio do abono cairá 6,6% em 2020 e será de R$ 2.192,71.

“Além dos inevitáveis impactos sobre o mercado de trabalho, decorrentes da recessão, a queda no montante pago em 2020 também deriva das medidas previstas na Medida Provisória 936”, diz a confederação.

Na previsão de impacto do abono de Natal na economia, o Dieese não considerou eventuais reduções decorrentes das medidas que permitiram corte de jornada e salário ou suspensão dos contratos.

A CNC, porém, incluiu na estimativa potenciais efeitos das suspensões de contratos e também das reduções de jornada e salário. Somadas, as medidas atingem 10,7 milhões de acordos.

Para o economista Fabio Bentes, da confederação, as regras de suspensão e corte de remuneração e jornada foram positivas para evitar desemprego maior, mas deixaram dúvida quanto ao cálculo exato do abono. Essa insegurança eleva, na aliavação dele, o risco de judicialização desse pagamento.

Segundo o Dieese, cerca de 80 milhões de trabalhadores, aposentados e pensionistas terão, com o 13º salário, um rendimento adicional médio de R$ 2.458.

Desses, o Dieese estima que 48 milhões –60% do total– sejam trabalhadores com carteira assinada, incluindo domésticos. Os aposentados e pensionistas do INSS são 30,8 milhões, ou 38,4% do total.

José Silvestre, diretor-adjunto do Dieese, diz que a estimativa inclui os valores pagos a beneficiários do INSS –que receberam os valores ainda no primeiro semestre, como medida de estímulo à economia–, pois o cálculo considera o somatório do que entra na economia, como abono, ao longo do ano.

Na rua 25 de março, região de comércio popular em São Paulo, o clima natalino já tomou conta das lojas - Rivaldo Gomes-23.out.20/Folhapress

“Além dos aposentados, há categorias que preveem em acordo o pagamento antecipado e neste ano muita gente também pagou antes, mas nossa hipótese é que a maior parte ainda pague em novembro e dezembro”, afirma Silvestre.

Para Silvestre, a antecipação dos pagamentos a aposentados “vai ter algum efeito” no comércio de fim de ano, principalmente nos municípios menores, pois não haverá a disponibilidade dessa renda extra.

O Dieese usou dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do INSS, do Tesouro Nacional e da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE.

Entram na conta os trabalhadores com carteira assinada dos setores públicos e privado, os empregados domésticos formalizados, aposentados e pensionistas do INSS e dos regimes próprios da União.

Silvestre afirma que o valor efetivo a entrar na economia poderá ser menor do que o estimado pois o Dieese optou por não calcular eventuais efeitos das medidas de redução de salário e jornada e suspensão de contrato. Criadas por MP (medida provisória) e depois convertidas em lei, essas medidas estão permitidas desde abril.

“O importante é a gente ter a magnitude e a representatividade desses valores para a economia”, afirma.

O valor total é similar ao estimado pelo departamento sindical no ano passado, mas Silvestre diz que os valores não comparáveis, pois as variáveis são diferentes e o momento é atípico –a pandemia e a crise econômica decorrente dela ainda não acabaram.

A parcela mais expressiva do 13º salário (48,5%) deve ser paga nos estados do Sudeste, o que reflete a maior capacidade econômica da região que concentra a maioria dos empregos formais, aposentados e pensionistas. No Sul do país devem ser pagos 16,8% do montante, enquanto o Nordeste receberá 15,4%. Já as regiões Centro-oeste e Norte receberão, respectivamente, 8,4% e 4,7%.

Na divisão setorial, o Dieese estima que os trabalhadores dos serviços, que inclui também quem atua na adminsitração pública, receberão 64,7% do total. Mesmo sendo um dos setores com mais cortes de vagas neste ano, os serviços têm o maior estoque de trabalhadores com carteira assinada, de 17,39 milhões até setembro, segundo o Caged.

Estimativa de recursos com pagamento do 13º salário

  • Indústria

    7.902.811 beneficiários, 17% do valor total

  • Construção civil

    2.114.109 beneficiários, 3% do total

  • Comécio

    9.107.713 beneficiários, 13,2% do total

  • Serviços (inclui adm pública)

    26.291.356 beneficiários, 64,7% do total

  • Agropecuária, pesca e atividades extrativas

    1.579.548 beneficiários, 2,1% do valor total

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