Descrição de chapéu Bradesco

Open banking deveria começar daqui um ano para evitar fraudes, diz presidente do Bradesco

Banco Central analisa pedido de adiamento dos bancos

São Paulo

Pelo Brasil ser um país onde acontecem muitas fraudes bancárias e ataques cibernéticos, o ideal seria um adiamento do open banking para outubro de 2021, de modo que os sistemas dos bancos fossem desenvolvidos com mais calma, segundo Octavio de Lazari Junior, presidente do Bradesco.

O open banking é o compartilhamento de dados, produtos e serviços pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas, como empresas, a critério dos clientes a respeito dos seus dados pessoais. Segundo o cronograma do Banco Central, ele terá início em 30 de novembro.

"É uma mudança muito grande em toda a tecnologia. Você está falando de empresas se conectarem com os bancos via APIs e poderem capturar informações dos clientes. [...] Nós devemos lembrar que o Brasil é um dos maiores países em ataques cibernéticos que existem no mundo e a criatividade social, as fraudes que a gente observa no Brasil, são estarrecedoras”, disse Lazari em transmissão ao vivo do Foro Inteligência —que reúne o BRICS Policy Center e a revista Insight Inteligência, com o apoio do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio e da Casa de Afonso Arinos— nesta quarta-feira (25).

Octavio de Lazari, presidente do Bradesco, em coletiva de imprensa em 2018
Octavio de Lazari, presidente do Bradesco, em coletiva de imprensa em 2018; executivo gostaria que o open banking fosse adiado - Paulo Whitaker/Reuters

De acordo com o executivo, o sistema financeiro brasileiro deve perder mais de R$ 1 bilhão com fraudes em 2020.

“Acho que temos que ir mais pausadamente como a Europa fez e até a própria Inglaterra, que implantou uma primeira fase, trocando informações que não são tão relevantes das pessoas. Aí você testa o sistema, vê se ele não tem falhas, se não é suscetível a ataque de hacker. Acho que a gente não precisa ter tanta pressa.”

Os bancos pediram ao BC um adiamento do início da primeira fase do open banking no Brasil. De acordo com a proposta, que está em análise, ele começaria entre janeiro e fevereiro de 2021, cerca de dois meses antes da implementação da segunda fase, prevista para 31 de maio.

“O open banking vai acontecer, acho que uma realidade que está aí, mas a gente não precisa fazer isso nesta velocidade. Se tiver que ser em fevereiro, a gente vai preparar a primeira fase para que ela funcione em fevereiro. Mas, eu, particularmente, preferiria muito mais que isso ficasse para outubro de 2021 porque a gente teria tempo para fazer as coisas com muita calma”, disse Lazari.

De acordo com o presidente do Bradesco, as equipes de tecnologia dos bancos foram muito demandadas em 2020 por conta da pandemia de Covid-19.

"Nós pedimos adiamento ao BC porque nós não conseguimos fazer todos os testes e nós pedimos para o BC entender que a gente estava com todos os nossos times dos bancos voltados neste ano para entregar Pix e open banking, só que nós fomos pegos por uma pandemia que ninguém esperava e tivemos que fazer implantações de prorrogação de contrato pelo celular porque a pessoa não podia ir para dentro de um banco”.

“Tivemos uma infinidade de coisas que tivemos que implementar rapidamente para poder atender as pessoas na pandemia, para que elas pudessem fazer de casa. Então, nós não tivemos condição, não tivemos tempo hábil para fazer isso dentro da velocidade que o BC queria”, completou o banqueiro.

No evento, Lazari também falou sobre a importância do ESG (melhores práticas ambientais, sociais e de governança), tema em evidência após o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos conhecido como Beto Freitas, em um uma loja do Carrefour em Porto Alegre (RS) na última quinta-feira (19).

“As empresas que não forem social, ambiental e ecologicamente responsáveis, respeitarem a diversidade e forem inclusivas, ficarão pelo caminho. Não porque vão elas vão falhar, ou porque vão ter menos lucro, mas porque os clientes vão abandoná-las. A sociedade vai exigir cada vez mais empresas responsáveis, sérias e inclusivas e que respeitem a diversidade."

Ele também mencionou a contribuição dos bancos privados no combate ao coronavírus.

“Ligamos para o Ministério da Saúde e eles disseram que não precisavam de dinheiro. Pediram ajuda para trazerem testes, respiradores e tomógrafos. Falamos várias empresas que são nossos clientes e conseguimos trazer isso e doar para hospitais pequenos.”

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