Fórum Econômico de Davos joga luz sobre desigualdade

Painéis discutiram racismo e desigualdade de gênero

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São Paulo

Após a pandemia de Covid-19 deixar as desigualdades sociais mundo afora mais evidentes, o Fórum Econômico Mundial dedicou painéis ao tema e a como diversos setores da economia podem trabalhá-lo.

“Se fosse tão fácil, teríamos feito melhor anteriormente”, disse Caroline Casey, ativista irlandesa e consultora de administração, no painel “Entrega de justiça social na nova economia”.

Favela vista do alto, com casas sem reboco
Imagem aérea que faz parte do documentário "São Paulo, Uma Cidade Segregada", de João Farkas - Divulgação

Peter Grauer, presidente do Conselho de Administração da Bloomberg, chamou a atenção para a responsabilidade de empresas e de seus executivos no combate à desigualdade.

“É uma corrida sem linha de chegada. Não devemos esperar que as coisas mudem do dia para a noite, mas devemos ser julgados pelo impacto que teremos nesses problemas críticos", disse Grauer.

Para Carmine di Sibio, presidente da EY (Ernst & Young), o caso George Floyd, homem negro assassinado por um policial branco nos Estados Unidos, foi um alerta.

“Nos acordou um pouco [para o fato] de que nós não estávamos tão focados nos negros, não só nos EUA, mas no mundo. Montamos uma força-tarefa em relação a esse problema [racismo] com 50 pessoas ao redor do mundo.”

Ele conta que a EY focou primeiro em programas para mulheres e negros e depois evoluiu para a comunidade LGBTQ+ e para pessoas com deficiência.

Nesta segunda, o Fórum lançou a coalizão "Partnering for Racial Justice in Business" (Parceria para Justiça Racial nos Negócios, em tradução livre), na qual 48 grandes empresas, incluindo a EY, se comprometem a melhorar a justiça racial e étnica no ambiente de trabalho.

O objetivo da iniciativa é erradicar o racismo em ambientes corporativos e definir novos padrões globais para a igualdade racial nos negócios.

Segundo Tatiana Clouthier, secretária de economia do México, é ainda mais difícil lidar com tantos problemas quando há um alto desemprego no país. Segundo ela, 657 mil mexicanos ficaram desempregados com a pandemia.

“A pandemia nos ajudou a colocar luz em coisas que não colocávamos antes”, disse Tatiana.

Para ajudar mulheres desempregadas ou com queda na renda, o governo do país tem oferecido treinamento digital, para que elas transformem pequenos negócios em ecommerce.

Um outro projeto citado por Tatiana é o Trem Maia, uma ferrovia que conecta o litoral da
Península de Iucatã ao seu interior.

Segundo ela, o projeto vai levar desenvolvimento ao sul do México, região mais pobre do país, e emprego à população local, com grande presença indígena e com menos educação formal.

Em outro painel, “Colocando a paridade de gênero no centro da recuperação”, Elizabeth Moreno, ministra de equidade de gênero da França, também citou programas governamentais voltados a mulheres, como facilitação ao aborto durante o lockdown e ao acesso à moradia.

Segundo ela, o país teve um crescimento de 42% na violência doméstica com a pandemia.

“Prestaremos muita atenção à paridade de gênero na implementação de nosso plano de recuperação nacional. É extremamente importante que as mulheres não sejam deixadas para trás nestes tempos”, disse Moreno.

Ann Linde, ministra de relações exteriores da Suécia, país reconhecido por seus avanços na igualdade de gênero, também ressaltou a importância de programas estatais voltados a mulheres.

“Em crises, a perspectiva de gênero é a primeira coisa a ser desconsiderada. Temos uma recessão para meninas e mulheres”, disse Linde.

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