Taxa média de desemprego em 2020 é a maior em quase 30 anos

Percentual de 13,5%, divulgado pelo IBGE nesta sexta, é o maior desde 1993, aponta iDados

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Rio de Janeiro

A taxa de desemprego média de 2020 atingiu o patamar recorde de 13,5%, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta (26).

O percentual é o maior em toda a série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), iniciada em 2012. Levantamento da consultoria iDados, que utiliza dados do IBGE para construir uma base de dados a partir de 1993, também aponta que a taxa é a maior para todo o período.

O recorde de desemprego anterior foi de 12,7% em 2017, reflexo da recessão econômica do período.

Em termos absolutos, a população desocupada (que não trabalha mas busca uma vaga) em 2020 atingiu a média de 13,4 milhões de brasileiros, 840 mil a mais do que o observado em 2019 e a maior marca da série histórica da Pnad.

Considerando apenas o trimestre encerrado em dezembro, a taxa de desemprego foi de 13,9%, também a maior taxa para o período de toda a série histórica.

A população desocupada somou 13,9 milhões de pessoas, resultado considerado estável pelo IBGE frente ao trimestre móvel anterior, encerrado em setembro, quando 14,1 milhões de brasileiros estavam nesta categoria.

De acordo com o IBGE, o resultado para 2020 interrompeu uma sequência de quedas na média de desocupação. Em 2018, a taxa ficou em 12,3%. No ano seguinte, em 11,9%.

O contingente de pessoas subutilizadas —que trabalham menos horas do que gostariam— aumentou 22,5% na comparação com o mesmo trimestre de 2019, o que equivale a 5,9 milhões de brasileiros a mais nesse perfil, totalizando 32 milhões.

A taxa média de subutilização foi a maior da série histórica, ficando em 28,1%, um crescimento de 3,9 pontos percentuais na comparação com 2019.

Os desalentados, ou seja, que desistiram de procurar emprego por acreditarem que não vão encontrar uma vaga, aumentaram 25,3% na comparação com o último trimestre de 2019. Atualmente, são 5,8 milhões nessas condições.

O trimestre encerrado em dezembro de 2020 foi o último em que houve liberação do auxílio emergencial de R$ 300 (em janeiro, houve liberação de saque de parcelas residuais). ​

Um homem recebe currículos na Barão de Itapetininga, região central de São Paulo - Mathilde Missioneiro - 30.set.2020/Folhapress

Desde que o valor do benefício foi reduzido de R$ 600 para R$ 300, a taxa de desemprego passou a sofrer maior pressão, com um número maior de pessoas em busca de uma vaga.

O governo busca uma solução para o retorno do benefício. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta quinta-feira (25) que pretende pagar R$ 250 em uma nova rodada de auxílio prevista para ser iniciada em março.

A liberação, contudo, depende da aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Emergencial, que estava prevista para ser votada no Senado nesta quinta (25), mas foi adiada para a próxima semana por divergências quanto ao fim do piso de gastos em saúde e educação —mudança que consta na PEC.

O ano de 2020 foi marcado pela chegada da pandemia de Covid-19 no Brasil, que a partir do mês de março exigiu medidas de isolamento social, adotadas para evitar a disseminação da doença. As iniciativas impuseram o fechamento de comércio e serviços, setores que mais empregam na economia brasileira.

Diante desse cenário, a analista da pesquisa, Adriana Beringuy, explicou que a pandemia piorou as condições de trabalho no Brasil, pois a necessidades de distanciamento paralisaram as atividades econômicas de forma temporária e influenciaram na decisão das pessoas de procurarem trabalho.

Após a flexibilização das medidas, mais pessoas voltaram a buscar emprego, o que vem pressionando o mercado. Assim, a população ocupada diminuiu em 7,3 milhões de pessoas, saindo de 93,4 milhões, em 2019, no que era o maior contingente da história da pesquisa, para 86,1 milhões no ano passado.

Pela primeira vez na série anual, segundo Beringuy, menos da metade (49,4%) da população em idade para trabalhar estava ocupada no país, na média do ano.

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