Estados querem comprar mais vacinas contra a Covid e completar programa federal

Segundo governador do Piauí, doses extras complementariam programa nacional de imunização

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São Paulo

Os estados pretendem comprar vacinas para aumentar o número de doses para além daquelas que já estariam contratadas (pelos números do Ministério da Saúde). É o que diz Wellington Dias, governador do Piauí (PT) e coordenador do assunto no Fórum Nacional de Governadores. Dias conta que, nesta quinta-feira (18), combinou tal possibilidade com o ministério, desde que as vacinas sejam entregues para o Programa Nacional de Imunização.

Na quarta-feira (17), governadores, os ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Luiz Ramos (Secretaria de Governo), Nísia Trindade (presidente da Fiocruz) e Dimas Covas (diretor do Butantan) trataram do cronograma de entrega de vacinas. Dias parece otimista com o resultado da reunião, que durou duas horas e 37 minutos.

“Não dá para fantasiar que um cronograma garante entregas. Mas conversamos com fornecedores de insumos, com o Butantan, a Fiocruz, a embaixada da China e o governo federal; temos contratos e pagamentos em dia. Temos agora datas precisas e de quem cobrar responsabilidades”, diz.

Dias afirma ter mais confiança no calendário do Butantan e da Fiocruz —Pazuello colocou também no cronograma federal vacinas a serem compradas, algumas ainda nem aprovadas.

Na conta das vacinas fabricadas ou compradas pelos institutos brasileiros (além de outros prováveis 2,6 milhões de doses do consórcio Covax), seriam 104,6 milhões de doses até abril, bastantes para vacinar cerca de 50 milhões de pessoas (dada uma perda de 5%). A população com 60 anos ou mais, grupo em que morrem 75% das vítimas de Covid-19, é de 33,24 milhões. Dias acredita que, com essas vacinas, em algum momento de abril o número de internações e de mortes poderia diminuir em 60%.

O governador do Piauí conta ainda que vai haver uma rediscussão de como distribuir parte das doses entre os estados, do “fundo” de 5% destinado a atender situações especiais e emergências. As demais doses são distribuídas proporcionalmente, de acordo com a população e ordem de prioridades.

Houve alguma controvérsia a respeito de diferenças entre o cronograma do Butantan e o do ministério. O governo de São Paulo diz que talvez ocorra algum atraso menor na entrega das doses de fevereiro, mas confirma o cronograma do ministério da Saúde. O governo paulista diz também que o governo federal pediu ao Butantan mais 30 milhões de doses (além dos 100 milhões já contratados), a serem entregues a partir de setembro.

Dias diz que a compra de vacinas pelos governos estaduais está em negociação, “o grupo está sendo formado”, e que seria necessária a participação de quase metade dos estados para a empreitada dar certo (por ora são cinco). Pelo menos dois outros governos estaduais dizem que, na reunião de quarta-feira, Pazuello afirmou que apenas o governo federal faria as compras. Segundo Dias, a situação mudou, nesta quinta-feira.

Segundo o governo paulista, de imediato esse plano vai enfrentar dificuldades. “Pelo menos até abril, sendo otimista, vai ser difícil comprar. Não tem vacina para vender no mundo”, diz um político muito próximo de João Doria.

De acordo com o cronograma federal, haveria doses de Butantan, Fiocruz e Covax para vacinar cerca de 94 milhões de pessoas até julho, quase 59% da população “vacinável” (de 18 anos ou mais).

O governo paulista diz que não haverá mais atrasos na entrega dos insumos para o Butantan, que vêm da China. De lá vem também a matéria prima da Fiocruz. Dois governos ouvidos por este jornalista (além do paulista e do piauiense) dizem estar menos confiantes no calendário de entregas chinesas para Fiocruz.​​

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