Busca por imóvel de alto padrão cresce com viagens adiadas e trabalho híbrido

Casas em São Paulo e em condomínios de luxo são campeões de procura no segmento

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São Paulo

Desde o meio de 2020, quando a pandemia deixou de ser uma novidade e as pessoas se adaptaram ao novo modo de vida, a procura por imóveis de alto padrão cresceu. Com mais de um ano da doença à solta, o segmento continua aquecido.

Trabalhando de casa, com seus filhos em aula virtual na maior parte do tempo e sem poder fazer as viagens de costume, esse público passou a desejar mais espaço e conforto, um jardim e área para ver o céu.

É o que conta Marco Tulio, diretor-executivo da Esquema Imóveis, imobiliária especializada nesse segmento. “No meu histórico de mercado imobiliário, nunca vi uma procura de casas como começamos a ter a partir de meados do ano passado. E sempre com a justificativa de conforto, de ter jardim e espaços maiores para poder viver ali 24 horas por dia”, afirma.

Casas comercializadas pela imobiliária na região dos Jardins chegam a custar R$ 30 milhões.

Para aqueles que preferiram se manter em prédios, as coberturas foram muito demandadas.

Foi a mesma preferência encontrada por Felipe Kauffmann, analista da imobiliária e construtora que leva seu sobrenome. “Vemos procura maior por casas, no Jardim América e um pouco no Morumbi, e por apartamentos mais amplos no Itaim Bibi, Vila Nova Conceição e Jardins”, afirma.

Tulio também registrou uma explosão de interesse por casas em condomínios fechados de luxo, em um raio de 100 km de São Paulo. “Teve uma valorização absurda, vi crescer em 200% o valor do metro quadrado em alguns deles”, diz.

Como são poucos os condomínios que atendem o público do topo da pirâmide financeira —Tulio cita os casos do Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz (SP), e do Quinta da Baroneza, em Bragança Paulista (SP)— chegou a faltar casas para os interessados.

Já em São Paulo, ele conta que faltaram residências modernas, que não precisassem de reforma ou mesmo de demolição.

No último trimestre de 2020, imóveis acima de R$ 1,5 milhão correspondiam a 15% das buscas no QuintoAndar. Já nos primeiros três meses deste ano, a participação subiu para 20%.

O mercado imobiliário está se mexendo para aproveitar essa demanda. De acordo com a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), o número de lançamentos de médio e alto padrão deve crescer de 60% a 70% em São Paulo neste ano, contra um aumento de 30% a 40% na média geral da cidade.

A Kauffmann tem dois lançamentos para 2021 com foco no público de alto padrão. O primeiro, no Itaim, já está à venda e tem unidades de 200 metros quadrados. O segundo, na Vila Nova Conceição, deve ser ainda maior, de 300 metros quadrados, e sair no final do ano.

A Esquema registrou um aumento de 300% nas vendas no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2020. Para Tulio, um fator que favoreceu esses compradores foi a valorização do dólar frente ao real. A moeda americana começou 2020 valendo R$ 4, mas se manteve acima de R$ 5 por quase todo o ano, e atingiu um pico de R$ 5,79 em março de 2021.

“Nosso cliente é mais dolarizado do que o restante da população, são pessoas que têm investimentos lá fora e ficaram mais ricas em reais,” afirma. “Os imóveis ficaram mais baratos para eles.”

Os juros mais baixos para financiamento imobiliário são outro incentivo, mesmo para quem tem o valor do imóvel guardado no banco. “O comprador vê que a taxa está barata e opta por pegar financiamento em vez de tirar dinheiro do banco”, diz o diretor da Esquema Imóveis. Ele aponta uma valorização de cerca de 20% nos imóveis de alto padrão na cidade desde o ano passado.

Otavio Zarvos, fundador da construtora Idea!Zarvos, que atende alto padrão, diz que o baixo rendimento de aplicações financeiras no momento é outro ingrediente que aumenta o interesse dos compradores.

“As pessoas estão refletindo sobre o valor do dinheiro no banco, o que ele vai trazer de felicidade. Quando traz juros, é importante, mas no momento em que ele não traz nada, não faz sentido deixar ali”, afirma. “Vou investir em qualidade de vida, no imóvel, que posso vender depois e é um investimento em algo seguro e real.”

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