Descrição de chapéu Mercado imobiliário

Com médio econômico, construtoras miram fatia 'esquecida' da classe média

MRV e Direcional criam marcas para imóveis de até R$ 600 mil, com foco no consumidor que ampliou crédito na queda de juros

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

Juros menores, crédito mais barato e a possibilidade de buscar um imóvel melhor a partir do mesmo orçamento foram alguns dos protagonistas do bom desempenho do mercado imobiliário no ano passado.

As condições favoráveis atraíram a atenção das incorporadoras também para um público cuja renda permite sonhar com um imóvel mais caro do que um Casa Verde e Amarela (o antigo Minha Casa, Minha Vida), mas ainda longe do médio ou alto padrão, acima de R$ 750 mil.

Pelo menos duas incorporadoras, Direcional e MRV, miram o consumidor do chamado médio econômico.

A Riva, da Direcional, foi lançada em março de 2020, praticamente no início da pandemia, das quarentenas e do abre e fecha de plantões de vendas. Mesmo assim, a operação chegou ao quarto trimestre de 2020 com um aumento de vendas líquidas de 52% ante o período anterior.

Os projetos da Riva, diz o presidente-executivo Paulo Assis visam as famílias com renda de R$ 5.500 a R$ 14 mil.

Ilustração de fachada de prédio
Ilustração da fachada de empreendimento da marca Sensia, do grupo MRV, em Campinas (SP) - Divulgação

O preço dos imóveis começa na faixa imediatamente superior ao Casa Verde e Amarela, cujo limite é de R$ 240 mil, e vai até R$ 500 mil.

Há opções na Região Metropolitana de São Paulo e no Rio de Janeiro. O portfólio chegará também a Minas Gerais e Amazonas. "Decidimos por uma diversificação de riscos, para que fiquemos menos dependentes do mercado em São Paulo", afirma Assis.

Na MRV, incorporadora com forte presença na habitação popular, a nova marca para o médio padrão ganhou o nome de Sensia. O primeiro empreendimento foi lançado em fevereiro, em Campinas, e tem apartamentos entre R$ 310 mil e R$ 600 mil e que variam de 65 a 75 m² (metros quadrados).

No primeiro trimestre, 101 das 304 unidades foram vendidas, segundo relatório da MRV para investidores.

Rodrigo Resende, diretor de Novos Negócios da MRV&Co, diz que a empresa levou dois anos fazendo pesquisas para desenvolver o perfil do novo braço da incorporação, definir a renda média de seu consumidor-alvo (a partir de R$ 7.000) e quais de suas demandas não eram atendidas no mercado, entre elas a customização das plantas.

Além disso, segundo o executivo, houve um período de levantamento de terrenos potenciais, cujo perfil difere daquele que a MRV estava habituada a prospectar. "A localização é muito importante e interfere diretament e no valor do metro quadrado. Esse público quer viver próximo a áreas verdes e com boa oferta de serviços e comércio."

O Sensia de estreia fica próximo ao parque das Águas, na zona sul de Campinas.

Os próximos lançamentos estão previstos para Maceió (AL), Manaus (AM) e Belo Horizonte (MG). São Paulo está fora dos planos em 2021. "É um mercado muito bem atendido de produtos imobiliários", afirma Resende.

Para Assis, da Riva, o médio econômico vem de uma evolução do mercado imobiliário. Ao focar no antigo Minha Casa, Minha Vida, as construtoras deixaram de atender o público de média renda.

"A gente viu uma grande oportunidade de usar nossa expertise com eficiência de custos e processos para um produto médio econômico", diz Assis. "Não queremos disputar no médio e alto."

Em 2021, a Direcional já registrou o melhor trimestre em vendas brutas e líquidas. Cerca de 24% das unidades comercializadas vieram da Riva.

Em agosto do ano passado, a empresa fechou um acordo com outra incorporadora, a Lucio, para formação de banco de terrenos na capital paulista. Neste mês, a Direcional informou aos investidores ter R$ 5 bilhões em terrenos na base da Riva e potencial para lançar 20 mil unidades.

Os dois executivos veem a Covid-19 como uma potencializadora dos negócios imobiliários. Já os juros baixos ajudaram a dar tração a esses desejos.

"Antes íamos somente dormir em casa. Agora, com a pandemia, fomos submetidos ao isolamento social. As pessoas ressignificaram o lar", afirma Paulo Assis, da Riva.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.