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Escalada da Selic deixa o financiamento imobiliário 20% mais caro

Renda média exigida pelos bancos também subiu para evitar a inadimplência

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São Paulo

As consecutivas altas da Selic já encarecem em 20% o valor do financiamento imobiliário de quem se prepara para pegar o crédito no banco. A elevação da taxa básica de juros afeta todos os novos financiamentos de imóveis.

Segundo simulações feitas pela Anefac (Associação Nacional de Executivos), o financiamento de R$ 650 mil para a compra de um imóvel está custando mais de R$ 1,5 milhão.

Já a renda média exigida para dar entrada em um financiamento de R$ 450 mil passou de R$ 13 mil, no ano passado, para R$ 16 mil.

Os cálculos foram feitos considerando o SFH (Sistema Financeiro de Habitação), pelo qual o comprador consegue crédito de até 80% do valor total do imóvel para pagar em até 35 anos em parcelas que não podem passar de 30% da renda.

Altas da Selic encarecem as taxas do financiamento imobiliário dos bancos - Folhapress

Utilizada pelo Banco Central para controlar a inflação, a taxa básica de juros saiu de 2% em janeiro de 2021, está em 13,25% e deve subir novamente em agosto. Além de servir de referência para a cobrança de juros e encargos no financiamento, a Selic também impacta nas faixas de renda para contratação do crédito.

Quando a Selic estava em 2% ao ano, os bancos cobravam uma taxa de juros de 7% ao ano nos financiamentos habitacionais. Esta taxa agora está entre 8% e 10%, e os bancos ainda não a reajustaram com a nova Selic, segundo informou a Anefac. A expectativa é que a última alta da Selic só seja repassada aos financiamentos imobiliários no segundo semestre.

"Em muitos casos, quem se planejou para comprar a casa própria considerando as taxas antigas não vai conseguir arcar com o financiamento ou não atingirá a renda mínima exigida", diz Marcelo Tapai, especialista em direito imobiliário.

Tapai recomenda refazer os cálculos do financiamento antes de ter correr o risco de ficar inadimplente. "Se for preciso desfazer o negócio, o melhor é repassar o imóvel", diz.

"Se tiver que optar pelo distrato com a construtora, pelo contrato, o comprador terá que abrir mão de 50% do valor já pago mais uma taxa de corretagem. Para reduzir a multa, pode entrar com ação judicial", afirma o advogado.

Confira simulações* de financiamentos imobiliários

FINANCIAMENTO DE R$ 300 MIL

Com a Selic a 2% e taxa de juros do banco de 7% ao ano Atualmente, com taxa de juros do banco de 10% ao ano
1ª parcela R$ 2.529,57 R$ 3.225,50
Última parcela R$ 838,04 R$ 839,97
Renda necessária (entrada de 30%) R$ 8.431,90 R$ 10.751,90
Total do financiamento R$ 606.171,97 R$ 731.799,70

FINANCIAMENTO DE R$ 450 MIL

Com a Selic a 2% e taxa de juros do banco de 7% ao ano Atualmente, com taxa de juros do banco de 10% ao ano
1ª parcela R$ 3.794,36 R$ 4.838,36
Última parcela R$ 1.257,06 R$ 1.259,96
Renda necessária (entrada de 30%) R$ 12.647,87 R$ 16.127,87
Total do financiamento R$ 909.257,95 R$ 1.097.699,55

FINANCIAMENTO DE R$ 650 MIL

Com a Selic a 2% e taxa de juros do banco de 7% ao ano Atualmente, com taxa de juros do banco de 10% ao ano
1ª parcela R$ 5.480,75 R$ 6.988,74
Última parcela R$ 1.815,76 R$ 1.819,95
Renda necessária (entrada de 30%) R$ 18.269,17 R$ 23.295,80
Total do financiamento R$ 1.313.372,60 R$ 1.585.566,02

FINANCIAMENTO DE R$ 1 MILHÃO

Com a Selic a 2% e taxa de juros do banco de 7% ao ano Atualmente, com taxa de juros do banco de 10% ao ano
1ª parcela R$ 8.431,92 R$ 10.751,91
Última parcela R$ 2.793,48 R$ 2.799,92
Renda necessária (entrada de 30%) R$ 28.106,40 R$ 35.839,70
Total do financiamento R$ 2.020.573,24 R$ 2.439.332,34

*Simulações feitas pelo vice-presidente da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, para o prazo de 30 anos (360 meses) pelo SAC (Sistema de Amortização Constante)

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