Empresas ajudam consumidor ávido por descontos a poupar dinheiro

Plataformas lucram ao dar cupons e devolver parte de valor gasto em compras

Homem de barba e cabelo preto, camisa rosa e calça jeans sentado em cadeira vermelha
Pedro Freitas, diretor de operações da Cuponeria, em escritório em SP  - Ze Carlos Barretta/Folhapress
Dante Ferrasoli
São Paulo

Inspiradas em um modelo consolidado em países como Estados Unidos e Argentina, empresas brasileiras lucram com a oferta de serviços que ajudam consumidores a economizar —seja por meio de cupons de desconto ou pela devolução de parte do valor gasto.

Fundada há oito anos em Belo Horizonte, a Méliuz, que hoje tem 150 funcionários, tem como foco restituir parte do dinheiro de quem comprou algo de uma empresa.

Após se cadastrar na plataforma, o usuário encontra as opções de “cashback”, cujas porcentagens de devolução variam de acordo com o produto ou o serviço oferecido por uma de suas cerca de 1.600 parceiras.

A Méliuz recebe uma comissão dos parceiros sobre cada uma das compras feitas na plataforma e, então, divide esse valor com o consumidor, diz Lucas Marques, 31, diretor de operações da companhia.

O valor do “cashback” fica registrado no aplicativo, e o saque é possível assim que o montante atingir R$ 20.

A empresa faz também parcerias com lojas físicas, principalmente supermercados e farmácias. Nesses lugares, é preciso informar ao caixa que pagará via Méliuz e digitar o número do celular na maquininha do cartão.

Para este ano, a perspectiva é de crescimento de 100% em relação aos números do ano passado, diz a empresa, que não revela o faturamento. Em 2018, a companhia devolveu R$ 45 milhões aos usuários de sua plataforma.

Outra empresa que tenta atrair o público ávido por promoções é a Cuponeria, que, como o próprio nome já diz,  oferece cupons de desconto.

Fundada em 2011, no Rio, ela nasceu após uma de suas sócias passar uma temporada na Argentina e ver que a cultura era disseminada por lá.

No Brasil, o negócio pegou rápido, diz o diretor de operações Pedro Freitas, 28. “Não era algo comum por aqui, e o brasileiro gosta de desconto. Aproveitamos isso”, afirma.

Por meio de uma plataforma, que funciona no computador e no celular, os usuários cadastrados podem escolher cupons que oferecem preços mais baixos em produtos e serviços de mil empresas. Cerca de um milhão de descontos são dados todo mês.

Segundo Freitas, metade das emissões é para gastos em empresas de alimentação rápida, como Mc Donald’s e Pizza Hut. Logo em seguida estão as promoções para assistir a filmes no cinema.

O lucro da Cuponeria vem de anúncios das empresas que oferecem suas promoções na plataforma. A companhia, que tem 30 funcionários, faturou R$ 1,5 milhão em 2018 e prevê crescer 200% neste ano.

“Vamos expandir com os parceiros grandes, mas, numa segunda etapa, queremos trabalhar com marcas locais. É fundamental que o usuário encontre o desconto perto dele”, afirma Freitas.

Estimular o comércio local é justamente a proposta da Bom Cupom, criada em 2017. A empresa é franqueadora de um modelo de negócios que trabalha apenas com cupons físicos para estimular as vendas dentro dos bairros.

Funciona assim: uma pessoa compra algo na padaria ou na farmácia e sua nota fiscal vem com um cupom de desconto, no verso, para outros estabelecimentos da região.

“Sites disponibilizam cupons para redes muito grandes, mas não para estabelecimentos que, apesar de pequenos, se destacam em sua região”, diz Matheus Nager, 22, sócio da empresa. Ele nasceu em Boston, nos Estados Unidos, e conta que esse tipo de negócio é normal por lá.

“A gente acredita que a loja física nunca vai deixar de ser um referencial. Quem compra no mercado do bairro geralmente mora no bairro.” 

Apesar disso, a empresa quer também disponibilizar os descontos pela internet no futuro, num site próprio.

Nager e mais três sócios investiram R$ 80 mil na criação da Bom Cupom, que já tem 36 franqueados pelo país e faturou R$ 612 mil em 2018. 

Sediada em Niterói e com 11 funcionários, pretende chegar ao fim deste ano com 196 franquias e fechar 2020 com 500.

Na opinião do professor do Insper Marcelo Nakagawa, esse modelo de negócio é atrativo também para quem vende os produtos com desconto.

Alguns compradores não querem necessariamente promoções o tempo todo. Há, porém, pessoas que buscam sempre o menor preço antes de comprar. As empresas atraem, assim, esse público, sem oferecer os valores promocionais a toda sua clientela.

Também não há risco de viciar os clientes em preços mais baixos, o que pode acontecer com promoções. “O cupom e o ‘cashback’ não criam isso, porque o preço para os outros clientes continua o mesmo”, afirma Nakagawa

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