'Marcas precisam fazer escolhas mais inteligentes', diz gerente do Instituto C&A

Para Stephanie Klotz, indústria da moda deve estimular economia circular

Rita Ambrosio de Melo Souza, 39, em plantação de algodão orgânico na Comunidade Irapuá, em projeto da Esplar com financiamento do Instituto C&A
Rita Ambrosio de Melo Souza, 39, em plantação de algodão orgânico na Comunidade Irapuá, em projeto da Esplar com financiamento do Instituto C&A - Tatiana Cardeal/Divulgação
Mara Gama
São Paulo

Para os consumidores, hoje, sustentabilidade é um fator importante na hora de decidir fazer suas compras. Assim, empresas de moda que não mudarem suas práticas irão ficar para trás, diz Stephanie Klotz, gerente sênior de comunicação do  Instituto  C&A, que investe em inovações no setor. 

Marcas, diz ela, devem repensar suas escolhas de matérias-primas, relações com fornecedores e incentivar modelos de negócios circulares no setor. 

Como ser um produtor consciente de moda?  Cada parte do modelo de negócios deve mudar: ele tem que usar materiais sustentáveis, produzir de uma forma que restaure o ambiente e proporcionar condições dignas de trabalho para as pessoas que trabalham na cadeia de fornecimento. 

Qual é o desafio mais importante para a sustentabilidade na economia da moda?  É mudar as mentalidades. Fazer negócios como se fez sempre não é uma opção, e não podemos apenas pensar em mudanças incrementais. Devemos nos desafiar a pensar em grandes soluções revolucionárias que irão transformar fundamentalmente a indústria.

Quais inovações no caminho da sustentabilidade você acha que terão impacto no desenvolvimento nos próximos três anos?  Acreditamos que a transparência desempenha um papel importante na transformação da indústria, especialmente para melhorar as condições de trabalho do produtor. Por exemplo, o Instituto C&A lançou uma maneira de rastrear a produção de roupas usando a tecnologia blockchain. 

Esse sistema publica as informações sobre a produção e garante que haja transparência entre as marcas e os seus consumidores. É um exemplo atual de inovação e tecnologia que está ajudando a impulsionar a transparência na indústria da moda.

Se considerarmos o fast fashion como um sintoma de uma doença da economia da moda, quais são as causas?  No Instituto C&A acreditamos que a moda e a sua indústria podem ser uma força para o bem. Vemos que essa indústria tem sido uma força motriz por trás do crescimento econômico em muitos países e é a fonte de empregos para milhões de homens e mulheres. 

No entanto, um modelo de negócio que dependa de baixos custos de produção cria problemas profundos e sistêmicos na indústria, dos quais todos os participantes sofrem: tanto a moda rápida quanto a de luxo.

Empresas que ganham dinheiro com o fast fashion podem mudar a maneira de fazer negócios?  As marcas precisam se tornar mais inteligentes sobre suas escolhas de matérias-primas, precisam colaborar para resolver as questões sistêmicas de más condições de trabalho e trabalho escravo, e precisam pensar em modelos de negócios circulares inovadores, como o aluguel. 

Precisamos mudar mentalidades dentro da indústria e perturbar o status quo. As empresas descobrirão que os consumidores exigem sustentabilidade e que há um risco cada vez mais alto associado aos negócios de sempre.

Quais são as melhores soluções para roupas velhas? A infraestrutura e a tecnologia associadas à reciclagem de roupas ainda não estão onde deveriam estar globalmente. Programas de coleta não são adequados e alguns tipos de fibra são tecnicamente muito difíceis de reciclar. 

Deveríamos estar trabalhando para encontrar soluções melhores para a “próxima vida” das roupas. Depois de seu primeiro uso, é mais eficaz retirar uma peça de vestuário da economia do que tentar reciclar a fibra. Construir um mercado sólido de segunda mão é muito importante.

O que é o consumo consciente na moda?  Muitas pessoas confundem “consumismo consciente” com moda sustentável. No entanto, há uma diferença entre eles. Os debates em torno da moda consciente intensificaram-se nos últimos anos. 

Moda consciente é moda produzida sob condições éticas de trabalho e usando os princípios da sustentabilidade. O consumidor consciente é aquele que se preocupa com a escolha dos produtos que compra, com o ambiente, a saúde humana e as relações trabalhistas justas. 
Ele sabe que pode ser um agente transformador da sociedade através de seu ato de consumo. 

Quais são as iniciativas locais mais importantes do Instituto C&A? Como o Instituto pode selecionar os programas para patrocinar?  Trabalhamos com parceiros, grandes e pequenos, que têm grandes ideias para transformar a indústria da moda e financiamos suas iniciativas quando estão alinhadas com nossas teorias de mudança e que apoiam nossas áreas de impacto.

Financiamos iniciativas que têm o potencial de criar mudanças de longo prazo. Iniciativas locais e de base são particularmente importantes nesta missão. 

Como adaptar seu negócio de moda à economia circular

-Conheça sua cadeia de suprimentos: como, por quem e onde são feitos os materiais que utiliza

-Seja transparente com o mercado e exigir o mesmo dos fornecedores

-Forme parcerias de longo prazo com fornecedores para incentivar melhorias na cadeia

-Faça escolhas sustentáveis de matérias-primas

-Preveja desde o design qual será o próximo uso do seu produto

-Pense nas consequências não intencionais de suas práticas de compra

-Colabore com outras empresas

-Seja inovador com suas escolha de materiais, embalagens ou modelos de negócios

-Eduque seus consumidores
Fonte: C&A Foundation

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