Descrição de chapéu Coronavírus

Empreendedores contam o que têm feito para driblar os efeitos da pandemia

Apostar em delivery e mudar o foco do negócio foram algumas das atitudes tomadas pelos empresários

São Paulo

As medidas de isolamento social, criadas para amenizar a transmissão da Covid-19, atingiram as empresas em cheio, e é preciso fazer mudanças rápidas para continuar em operação.

Abaixo, veja como quatro empreendedores estão lidando com a restrição ao funcionamento dos seus negócios e as mudanças no comportamento do consumidor.

‘Abri 45 dias antes da quarentena’

Eu tinha aberto minha hamburgueria argentina na Vila Clementino (zona sul de São Paulo) fazia um mês e meio quando a pandemia chegou. Trouxe até meu irmão lá da Argentina para ser o chef. Estávamos com uma aceitação boa, ouvindo muitos elogios —gostam muito da nossa maionese de chimichurri.

Mas agora tem sido muito difícil. Investimos R$ 75 mil para abrir o restaurante. Tudo o que ganhei no primeiro mês reinvesti no próprio negócio, o que vejo que foi um erro, porque fiquei sem fluxo de caixa.

Em março, faturamos 55% a menos do que em fevereiro. Agora implementamos o delivery, que não tínhamos. Estamos divulgando ao máximo a casa para conquistar novos clientes quando tudo reabrir

Guido Benvenuto, 35, dono do Portenho Burger

Homem de camiseta azul descendo porta de metal de loja com produtos de pesca
Henrique Kagohara, 34, sócio do Laboratório da Pesca, na zona sul de São Paulo - Keiny Andrade/Folhapress

‘Crescemos, ainda que menos’

Temos uma loja de equipamentos de pesca e pretendíamos crescer 40% em 2020. Cumprimos a meta em janeiro e fevereiro. Em março, não, mas ainda assim vendemos 17% mais que no mesmo mês de 2019.

Nossa loja, em Santo Amaro (zona sul), está fechada. Fizemos uma parceria com um cliente para entregar produtos, vendidos pelo WhatsApp. Também fazemos promoções e mandamos um “oi, sumido” aos clientes, para que não se esqueçam de nós. Enquanto isso, negociamos prazos com fornecedores.

Se a quarentena persistir, podemos ter problemas, mas vejo o copo meio cheio: temos potencial de crescer quando tudo acabar, já que ainda tem poucos pescadores no país

Henrique Kagohara, 34, sócio da Laboratório da Pesca

'Meu trabalho é de risco, mas não posso parar’

Tenho uma clínica em Santana (zona norte) que, além de mim, reúne outros nove dentistas. Nossa profissão é uma das mais perigosas nesta pandemia. Os pacientes ficam de boca aberta o tempo todo na nossa frente, e ali estão as gotículas que transmitem a doença.

Fechamos os consultórios no dia 17 de março e, desde então, não atendi ninguém. Tenho algum dinheiro para receber de procedimentos realizados há algum tempo, então ainda consigo pagar as contas. Mas, a partir de maio, nada.

Estou agoniada porque não acho que a crise acaba logo. Vou atender emergências na clínica para conseguir alguma renda. Comprei equipamentos de proteção, mas nem assim me sinto 100% segura, porém preciso trabalhar

Aline Gomes Flores, 31, dona da Clínica Flores

Homem de camiseta preta segurando pacote de lenços umedecidos
Rafael Nasser, um dos fundadores da FreeCô, em seu local de trabalho, na zona oeste da capital paulista - Keiny Andrade/Folhapress

‘Mudamos o foco para seguir vendendo’

Nosso carro-chefe é o bloqueador de odores sanitários FreeCô, que existe há cinco anos. No fim de 2019, lançamos um lenço umedecido antisséptico, o FreeWipes, que higieniza as mãos. Com a propagação do vírus, a demanda por esse produto subiu muito e mudamos o foco da empresa.

Tivemos que correr para acelerar a produção. Também lutamos para introduzir o produto de forma mais milabrangente no varejo. E tem dado certo. Aumentamos 10 mil% as vendas do FreeWipes na pandemia. Isso ajuda, já que as do FreeCô caíram 30% no mês de abril até agora.

Acho que depois da pandemia as pessoas vão se importar mais com a higienização das mãos, então os lenços devem continuar vendendo bem

Rafael Nasser, 29, sócio da FreeCô

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