Descrição de chapéu Coronavírus

Startup instala lojinha de conveniência dentro de condomínios em meio à quarentena

Empreendedores mudam seus negócios para contemplar consumidor que está em casa

São Paulo

Com todo o mundo dentro de casa, os condomínios viraram oportunidade de negócio para muitos empreendedores, que adaptaram seus serviços para atender às necessidades dos moradores.

A startup Numenu nasceu em 2018 com a ideia de levar uma loja de conveniência para dentro de carros de aplicativo, com a venda de doces, canetas, entre outros itens. Com o isolamento, os sócios Rafael Freitas, 30, e Sebastian Netto, 28, ficaram com medo de que a empresa quebrasse.

Como já tinham parceria com uma grande indústria de alimentos, pensaram em transferir "suas lojas" para dentro dos condomínios.

"Foi uma oportunidade que percebemos, e pivotamos nosso modelo", afirma Rafael. Pivotar, na linguagem das startups, significa corrigir a rota de um negócio.

Há três semanas eles começaram a instalar gôndolas de mercado em prédios residenciais, com produtos de uso contínuo, como itens para limpeza, higiene pessoal e alimentos. Não há investimento por parte dos prédios.

A empresa já fechou parcerias com 20 condomínios, e a previsão é chegar a 50 até o final de abril.

Para levar algo, basta acessar o site da empresa, informar o código da gôndola que está no condomínio e fazer a compra pela internet. Depois, é só descer para buscar os itens nas prateleiras.

Esse sistema permite que a empresa tenha controle do estoque em cada prédio e evita aglomeração de moradores.

Por enquanto, a startup só atende condomínios em São Paulo. "Queremos manter o serviço depois da quarentena", afirma Rafael.

Na visão de Alessandra Andrade, gestora do Faap Business Hub, para sobreviver à crise, assim como a Numenu, os empresários precisam desapegar das ideias originais do negócio. "Tem que se concentrar nos recursos que você já tem e descobrir uma nova proposta a ser entregue com esses mesmos recursos."

Foi o que também fez a empresária Karen Lucia Checchia, 31, que prepara comidas saudáveis para eventos.

Sua empresa é pequena, sem funcionários fixos. Quando percebeu que as reuniões seriam canceladas por causa da pandemia, decidiu começar a vender marmitas para os moradores do prédio onde vive, no centro de São Paulo.

"Sem os eventos, eu teria um prejuízo grande, não teria dinheiro para sobreviver aos próximos meses. As marmitas foram uma salvação", afirma.

Ela vende entre 8 e 10 refeições por dia, além de bolos e tortas. "Se eu mantiver a média de vendas, no final do mês terei dinheiro para pagar as minhas contas", diz.

Karen afirma que ter um negócio pequeno a ajudou a mudar rapidamente seu modelo de trabalho. Ela já oferece as marmitas há um mês, desde o início das medidas de isolamento social.

O fato de atuar dentro do condomínio facilitou a divulgação dos seus produtos, feita por meio de um grupo no WhatsApp com moradores.

Ela já pensou em ampliar o seu público, vendendo para outros condomínios, mas considera que não conseguiria atender uma demanda maior cozinhando sozinha, em casa.

O trabalho dentro do seu próprio apartamento também permite que gere renda sem precisar quebrar as medidas de isolamento. "Faço compras por delivery, já faz três semanas que não saio", afirma.

Para Andrade, negócios que envolvam serviços de academia, como personal trainers virtuais, e de cuidado com crianças também terão boa aceitação nos condomínios depois que a pandemia passar.

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