Aprenda a evitar 10 erros comuns na hora de abrir um negócio

Entre os principais equívocos estão escolher mal os sócios e não ter planejamento

Cristiane Teixeira
São Paulo

As falhas cometidas por empresários inexperientes se repetem e podem provocar danos ainda maiores quando eles estão pressionados pela urgência de obter uma fonte de renda. A seguir, conheça alguns erros mais comuns e como evitá-los.

Não ter um planejamento

O primeiro passo de todo empreendedor deve ser criar um plano de negócio, que precisa incluir: análise do mercado, conhecimento da concorrência, planejamento financeiro, simulação do desempenho da empresa em diferentes cenários (otimista, negativo e realista) e uma estratégia de marketing. Tudo isso serve para descobrir o quão válida é uma ideia.

Querer começar grande

Projetar um negócio para que ele seja escalável é diferente de já abrir com uma grande estrutura. Só após testar e validar o produto e a receptividade do consumidor é que se deve pensar em assumir o risco de alugar um ponto, equipar o local, contratar funcionários e investir em estoque.

Victor Macul, coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper, recomenda que o empresário comece como MEI (microeempreededor individual) e só deixe a opção quando chegar perto de ultrapassar o limite anual de faturamento permitido (R$ 81 mil).

Fotolia/Konstantin Yuganov

Investir todas as economias

Ter uma reserva financeira é fundamental. “A gente recomenda investir apenas 30% do capital pessoal, chegando a no máximo 50%”, diz Ivan Hussni, diretor técnico do Sebrae.

Caso a pessoa veja que precisará de mais que isso, deve enxugar seu modelo de negócio. “Se não houver jeito, é preferível pegar um empréstimo, procurando as taxas mais baixas, do que ficar sem reserva.”

Macul aconselha que o empresário estabeleça qual é a sua perda aceitável —quanto de dinheiro e tempo ele está disposto a perder caso o negócio não vingue. Segundo Hussni, o tempo de retorno do investimento varia de 6 a 18 meses, dependendo do setor.

Não olhar para o contexto

Há a expectativa de que boa parte das mudanças de comportamento impostas pela pandemia seja incorporada à rotina dos consumidores. É fundamental entender as novas necessidades e desenvolver soluções para elas.

Entre os segmentos mais promissores Hussni destaca: reconfiguração de espaços de trabalho e de moradia, serviços de saúde, produtos e serviços de tecnologia, alimentação em casa, logística para entrega e manutenção.

Desconhecer a atividade

“Quem nunca trabalhou em uma determinada área tem uma dificuldade maior para entender aquele mercado”, afirma Piero Contezini, 37, diretor-executivo da fintech Asaas, que é o seu sexto negócio.

Além de conhecer do assunto e enxergar uma oportunidade, o empreendedor precisa ter paixão pelo que faz. “Nem mesmo quem está lutando pela sobrevivência pode abrir mão da paixão, porque estará fadado a não dar certo”, diz o consultor do Sebrae.

Misturar as contas

O dinheiro pessoal do empresário é um e o da operação é outro. Quando isso não está claro, ninguém consegue saber se um negócio é rentável.

Deve-se estabelecer um pró-labore, isto é, um pagamento para os sócios que exercem função na empresa. No começo, nem sempre as retiradas são possíveis. Mesmo assim, é importante considerar o pró-labore para saber quanto é preciso faturar para remunerar devidamente os donos.

Não agir como empreendedor

“Tem gente que empreende, mas fica esperando as coisas acontecerem sozinhas”, afirma Hussni, do Sebrae.

São várias as características associadas ao perfil empreendedor: ter iniciativa, ser criativo, encarar desafios, saber se relacionar, ser organizado, saber se planejar, ter foco no cliente, cultivar uma rede de contatos, guiar-se pelos resultados e estabelecer metas.

Não ter um diferencial

Se já existirem outras dez boleiras atuando no bairro, só vale a pena entrar nesse ramo se o empreendedor oferecer algo a mais que agrade o cliente, recomenda Hussni.

É fundamental estar ciente de que qualidade não é diferencial, mas o mínimo que se precisa garantir.

Escolher mal os sócios

“É essencial conhecer bem o candidato a sócio, os seus valores. Se a relação não der certo, será mais difícil tirá-lo da companhia do que se divorciar”, afirma Contezini. Ele sugere que os empreendedores, antes de formarem uma sociedade, trabalhem em parceria, mas cada um com o seu CNPJ.

Após um ou dois anos de experiência bem-sucedida haverá confiança suficiente para selar a união dos negócios.

Desprezar os recursos digitais

A pandemia tornou impossível vender a maioria dos produtos e serviços sem a intermediação das mídias sociais e das ferramentas online.

Num primeiro momento, criar um perfil eficiente no Instagram trará mais resultados do que contratar alguém para montar o site da empresa, segundo o professor do Insper.

Já pelo WhatsApp pode-se manter contato direto com o cliente e mandar mensagens de vez em quando, apresentando novidades ou perguntando se ele precisa de algo.

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