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Conheça os pet influencers que faturam até R$ 80 mil por mês

Segmento é o quarto com maior engajamento do Instagram; publicidade vai de chocolate a bolsa de grife

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Denise Meira do Amaral
São Paulo

Nos casos mais bem-sucedidos da internet, perfis que têm animais de estimação como protagonistas são administrados por tutores que se dedicam ao projeto em tempo integral e transformaram seus pets em lucrativas marcas.

De acordo com a Squid, empresa de marketing digital especializada em influenciadores, o segmento pet é o que possui a quarta maior taxa de engajamento por post no Instagram, em 50 categorias. Só perde para cultura nerd, para o combo brinquedos, crianças e bebês e para moda.


Bono, um cão surfista, tem uma agência digital e uma assessoria de imprensa só para administrar sua rotina. Com mais de 202 mil seguidores no Instagram, um programa no canal Off e outro no YouTube, o cachorro é um dos maiores influenciadores pets do país.

O labrador chocolate de dez anos já surfou ondas na Califórnia, Peru, Havaí, Costa Rica e nas pororocas do Maranhão e da Amazônia.

Além de ser pentacampeão mundial de Surf Dog, Bono é o primeiro embaixador pet da BMW. “As pessoas estão entendendo que o pet é um membro da família. A ideia com o Bono é justamente incentivar esse lifestyle de fazer tudo junto. Faz oito anos que não viajo sem ele”, conta Ivan Moreira, 43, tutor do labrador.

Há um ano, Ivan trocou a carreira de personal trainer para se dedicar somente a Bono —hoje chega a um rendimento médio de R$ 80 mil por mês com a Bonosurfdog.

De olho no mercado em ascensão, Ivan fundou uma agência digital especializada em mercado pet, a Pet 4 Agency, em janeiro deste ano. Segundo ele, é fundamental que o pet esteja feliz com o que faz. “Jamais o forçaria a surfar se ele não gostasse. Quando o Bono pega uma onda, fica latindo e abanado o rabo, não dá nem margem para alguém criticar. Ele realmente fica amarradão.”

Ivan e Bono surfando
Ivan e Bono surfando - Ju Martins/Divulgação


Após perder suas duas cachorras, em 2013, a publicitária Andrea Mendes, 41, passou a pesquisar bichinhos que vivessem por mais tempo. Foi assim que descobriu os mini pigs, raça de porcos domésticos que chegam a viver até 30 anos. Após certa resistência, seu marido a presenteou com o filhote Jamon, no Dia dos Namorados.

Ao sacar a curiosidade que o porquinho despertava, Andrea começou a postar no Instagram fotos do suíno com legendas engraçadinhas em primeira pessoa, ainda em 2013. Entre as ações de Jamon, hoje com oito anos, 95 quilos e 57 mil seguidores, estão parcerias com licenciamento de produtos como joias com pingentes de porquinho, tênis e mochilas, além de roupas para segmento pet.

“Trabalhamos pouco com post pago, porque geralmente as marcas não nos dão liberdade para criar e se esquecem que o Jamon é um bicho. Ele não fotografa na hora que o fotógrafo quer”, conta Andrea, que diz ter recusado muitos trabalhos para não estressar o animal ou por não se alinhar às propostas, como a de uma marca de condimentos que o convidou para uma ação no Dia do Bacon.

Andrea continua trabalhando em sua consultoria de transformação digital, mas os custos dos porquinhos —ela tem um outro mini pig preto chamado Nero—, em torno de R$ 2 mil mensais, são pagos com as ações. Em média, Jamon fatura entre R$ 4.000 a R$ 6.000 por mês.

A publicitária diz que eles são dóceis, curiosos e inteligentes. Antes de criar um porco em casa, porém, é preciso checar se a vigilância sanitária de sua cidade permite a criação em ambientes urbanos.

Porco deitado
O porco influencer Jamon, que tem mais de 50 mil seguidores no Instagram - Keiny Andrade/Folhapress


“Olá, humano! Estou dormindo ou comendo, mas prometo responder o mais rápido possível! Como eu posso te ajudar?”. Esta é a mensagem automática que chega no WhatsApp após escrever para o número do gato Chico, 8, do perfil Cansei de ser Gato (@canseidesergato), com mais de 560 mil seguidores.

Amanda Nori, 33, administradora da página junto com Stefany Guimarães, 31, conta que ao criar a conta, em 2013, alcançaram 20 mil seguidores no Facebook em uma semana.

“Como o Chico é muito fotogênico, comecei a postar: cansei de ser gato e virei tal coisa. Na mesma semana saíram várias reportagens e começamos a sentir necessidade de produzir conteúdo”, relembra Amanda.

Em três meses, a dupla saiu dos respectivos trabalhos para se dedicar ao perfil. Chico virou livro com os personagens em que ele se transformou e, em 2015, o gato mais famoso da América Latina ganhou uma biografia chamada “Cansei de ser Gato – do Capim ao Sachê” (Intrínseca, R$ 34,90, 160 págs.).

“A gente dobra todo ano, tanto em número de seguidores como em faturamento”, diz Amanda, que gerencia contratos de exclusividade com marcas de chocolate, brinquedos infantis, eletrodomésticos, ração e até mesmo filmes que nada têm a ver com universo pet, além da loja Cansei de ser Gato, de onde vem a maior parte do do faturamento (não divulgado), e de um podcast.

Chico, CEO da Cansei de Ser Gato
Chico, 'CEO' da Cansei de Ser Gato - Divulgação


Já o artista Rafael Mantesso, 38, tutor do bull terrier Jimmy, 11, não gosta do nome influenciador digital para pets. “Sou contra objetificar o bicho. Tanto que o perfil no Instagram tem o meu nome. Faço questão de mostrar que meu cachorro é foda, mas deixo claro que é apenas um recorte da minha relação com ele. É outra vibe”, afirma Rafael, com mais de 577 mil seguidores no Instagram.

Rafael começou a fotografar o animal após seu casamento ruir e seu restaurante fechar. Acabou sozinho com o bicho no apartamento. Decidiu, então, apostar em seus desenhos, um antigo hobby. Os posts do Jimmy viralizaram depois de o site de entretenimento do ator Ashton Kutcher ter publicado algumas fotos do pet, em 2014.

De lá para cá, a dupla já participou de campanhas de marcas como Marc Jacobs e com a própria Jimmy Choo —quando o cão teve sua foto estampada na bolsa da grife, vendida por US$ 4.000, com participação das vendas.

O artista também lançou em 2015 um livro de fotos chamado “Um Cão Chamado Jimmy” (Intrínseca, R$ 34,90, 168 págs.). “Hoje o Jimmy é uma marca licenciada em vários países. Falo que tenho o melhor trabalho do mundo, porque sou eu e meu cachorro. Não dependo de mais ninguém”, afirma Rafael.
O cão Jimmy em obra de Rafael Mantesso
O cão Jimmy em obra de Rafael Mantesso - Rafael Mantesso

jimmy

@RafaelMantesso
Seguidores 577 mil
Idade 11 anos
Atividades Após cair nas graças do ator Ashton Kutcher, o bull terrier esteve em ações de marcas como Marc Jacobs e a própria Jimmy Choo. Também é tema do livro “Um Cão Chamado Jimmy”, de seu tutor Rafael Mantesso, artista que tem quadros com o cão em galerias no Brasil e na Europa
Faturamento Não divulga

Bono

@bonosurfdog
Seguidores 202 mil
Idade 10 anos
Atividades O labrador chocolate é pentacampeão mundial de Surf Dog e entrou para o Guinness Book por surfar uma pororoca de mais de dez quilômetros no rio Amazonas. Embaixador pet da BMW, tem programas no canaf Off e YouTube e vive em Búzios, no Rio, com o tutor Ivan Moreira (foto) e família
Faturamento R$ 80 mil mensais

Jamon

(@jamonthepig)
Seguidores 57 mil
Idade 8 anos
Atividades O mini pig de 95 kg gosta de carinho na barriga e tem linha licenciada de joias com pingente de porquinho, tênis e mochilas. No Dia do Bacon, no entanto, sua tutora Andrea Mendes (foto) recusou ação com marca de condimentos de sanduíches
Faturamento De R$ 4.000 a R$ 6.000 mensais

CHICO

@canseidesergato

Seguidores 536 mil
Idade 8 anos
Atividades O gato mais famoso da América Latina tem biografia, “Cansei de ser Gato – do Capim ao Sachê”, contratos de exclusividade com marcas de chocolate, brinquedos, eletrodomésticos e ração, além de loja online com produtos para felinos e humanos e podcast
Faturamento Não divulga

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