Descrição de chapéu sustentabilidade

Marcas substituem plástico bolha por alternativa feita de papel

Mais sustentável, material reduz volume de caixas e dá novo acabamento às encomendas do ecommerce

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Cristiane Teixeira
São Paulo

Consequência do aumento do comércio eletrônico, o volume cada vez maior de caixas e plásticos utilizados no transporte de mercadorias tem levado os empresários a buscar soluções alternativas.

“Estávamos incomodados com essa questão desde que o ecommerce se tornou um importante canal de vendas para o nosso negócio, no ano passado”, afirma a designer Kiki Saraiva, 35, sócia da Estúdio P.A.P.E.L, papelaria autoral instalada no shopping Iguatemi, na zona oeste de São Paulo.

O mercado de embalagens para ecommerce cresceu 40% em faturamento de 2019 para 2020, segundo pesquisa apresentada em julho pela consultoria Smithers. O estudo também projeta um aumento anual de 17% até 2025.​

Depois de meses procurando um substituto para o plástico bolha, Kiki e o administrador Diego Mendes, 39, seu sócio e marido, descobriram o papel kraft especial, que desde o último dia 8 passou a ser utilizado nas entregas da papelaria.

Ao ser puxado por uma máquina, o papel importado chamado Geami expande-se e ganha uma estrutura semelhante à de favos, que protege os produtos de riscos e pequenos impactos.

“Envolvemos cada um dos itens nesse papel e os colocamos em caixas que perfumamos, fechamos com fita gomada e enviamos para o cliente”, diz a designer.

Além de mirar na redução do consumo de plástico —seja do tipo bolha, seja de fitas adesivas transparentes—, a empresária também estava à procura de materiais que proporcionassem ao consumidor do ecommerce uma experiência semelhante à oferecida na compra presencial.

Com cola à base de amido, a fita gomada de papel, com ou sem reforço de fio de náilon, só precisa ser umedecida para se tornar aderente. Na opinião de Kiki, é mais eficiente que a fita adesiva tradicional, o que permite o uso em menor quantidade. Ainda assim, o material é 40% mais caro.

O papel tridimensional também custa mais que plástico bolha —o dobro, segundo a empresária. “Se fôssemos considerar apenas preço, deixaríamos tudo como estava. Mas temos de pensar em outras coisas além do custo, e já havia clientes cobrando uma solução mais ecológica”, afirma.

Apesar de mais caro, o Geami pode resultar em diminuição de despesas, segundo Eduardo Schiavinato, da Uni Embalagens, que assessora empresas na escolha de métodos de embalagem.

“É preciso bem menos espaço para guardar as bobinas de papel do que para os rolos de plástico bolha. Como o volume da embalagem diminui, as caixas também podem ser menores, o que torna o frete mais barato”, diz. “Usando uma fita para dar acabamento ao pacote, o material ainda funciona como embalagem para presente."

No último ano, o especialista tem verificado um interesse crescente do segmento de ecommerce por tecnologias de proteção e preenchimento mais ecológicas. Entre elas, destacam-se as de papel desenvolvidas pela americana Ranpak, fabricante do Geami e de outros empacotamentos recicláveis e biodegradáveis.

“O consumidor final está pedindo que se reduza o consumo de plástico e parte do empresariado resolveu assumir esse custo”, avalia. Atento aos movimentos do mercado, há um ano ele somou a Ranpak à sua lista de fornecedores e assim conquistou mais clientes.

É o caso da Salcas, que produz e vende sensores de temperatura para indústrias de todo o país, além de comercializar instrumentos de medição de marcas variadas.

“Nós usávamos plástico bolha e papel picado para proteger as mercadorias. Mas havia clientes que acabavam perdendo as peças menores no meio daquele monte de enchimentos”, conta Monique Salvi, 32, gerente de compras da Salcas, localizada na zona norte de São Paulo.

Muitas vezes, componentes delicados, feitos de cerâmica, chegavam quebrados e precisavam ser trocados, acarretando gastos extras com transporte. Quando começou a receber encomendas acondicionadas entre almofadas de ar feitas de papel, a gerente de compras percebeu que aquela poderia ser a solução para as adversidades que enfrentava.

Em dois meses de testes com uma máquina que expande e dobra o papel kraft, a Salcas comprovou a adequação do método a seu negócio e ficou com o equipamento em comodato, pagando apenas pelo papel que consome. Por mês, são oito bobinas, cada uma ao custo médio de R$ 300.

“Antes, gastávamos uns 60 rolos de plástico bolha e, para obter um preço mais baixo, precisávamos comprar cem unidades de cada vez. Nosso estoque ficava lotado, o que não acontece mais”, compara Monique.

O mais importante, segundo ela, é que desde a introdução da nova tecnologia, promovida dois anos atrás, cessaram as queixas a respeito de peças danificadas.

“Tornar a empresa mais sustentável me motivou a buscar essa solução de embalagem, mas os ganhos vão muito além”, afirma.

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