Descrição de chapéu New York Times

Facebook vai remover fake news que leve à violência

Decisão foi tomada após boatos surgidos nas redes sociais causarem ataques reais na Índia

Sheera Frankel
San Francisco

O Facebook é cada vez mais criticado pelas postagens que incitam à violência em alguns países, por isso disse na quarta-feira (18) que começará a retirar notícias falsas que possam levar algumas pessoas a ser feridas fisicamente.

A política expande as regras do Facebook sobre que tipo de informação falsa irá retirar, e surge principalmente em reação a casos ocorridos no Sri Lanka, em Mianmar e na Índia, em que rumores disseminados na plataforma digital levaram a ataques no mundo real.

Mulher gerencia sua conta no Facebook; empresa anunciou que vai retirar notícias falsas que causem violência
Mulher gerencia sua conta no Facebook; empresa anunciou que vai retirar notícias falsas que causem violência - Tobias Scwarz - 22.mai.2018/AFP

As novas regras não se aplicam às outras grandes empresas de rede social da companhia, Instagram e WhatsApp

"Identificamos que há um tipo de informação enganosa compartilhado em alguns países que podem instigar tensões subjacentes e levar a danos físicos offline. Temos uma responsabilidade maior de não apenas reduzir esse tipo de conteúdo, mas retirá-lo", disse Tessa Lyons, uma gerente de produto do Facebook.

A empresa foi amplamente criticada pelo modo como sua plataforma foi usada para disseminar discurso de ódio e informações falsas que levaram à violência. A companhia tentou equilibrar sua crença na livre expressão com essas preocupações, especialmente em países onde o acesso à internet é relativamente novo e as fontes de notícias da corrente dominante, que contrabalançariam os rumores na rede social, são limitadas.

Em Mianmar, o Facebook foi acusado por investigadores da ONU e grupos de direitos humanos de contribuir para a violência contra os muçulmanos rohingya, um grupo étnico minoritário, ao permitir o discurso de ódio e notícias falsas contra os muçulmanos.

No Sri Lanka, houve tumultos depois que falsas notícias instigaram a comunidade budista, predominante no país, contra a muçulmana. Rumores quase idênticos em redes sociais também levaram a ataques na Índia e no México. Em muitos casos, os boatos não continham apelos à violência, mas amplificavam as tensões existentes.

Em uma entrevista publicada na quarta-feira pelo site de notícias sobre tecnologia Recode, o executivo-chefe do Facebook, Mark Zuckerberg, tentou explicar como a companhia está tentando diferenciar entre o discurso ofensivo —o exemplo que ele usou foram as pessoas que negam o Holocausto— e postagens falsas que podem levar a agressões físicas.

"Eu acho que há uma situação terrível em que existe violência sectária subjacente e intenção. Está claro que isso é responsabilidade de todos os atores envolvidos", disse Zuckerberg a Kara Swisher, da Recode.

Enquanto a companhia de rede social já tem regulamentos implementados em que ameaças diretas de violência ou discursos de ódio são retirados, ela hesitou em eliminar boatos que não violam diretamente suas políticas de conteúdo.

Sob as novas regras, o Facebook disse que criará parcerias com grupos da sociedade civil para identificar informação enganosa a ser retirada. As novas regras já estão sendo aplicadas no Sri Lanka, e Lyons disse que a empresa espera adotá-las em breve em Mianmar, antes de expandi-las a outros lugares.

The New York Times

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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