Descrição de chapéu Venezuela

McDonald's fecha restaurantes na Venezuela

Empresa diz que está adaptando negócio 'à dinâmica dos mercados'

Homem diante de McDonald's fechado em Caracas, na Venezuela - Federico Parra/AFP
 
Caracas

A rede McDonald's fechou alguns restaurantes na Venezuela, país que enfrenta uma grave crise econômica, informou a Arcos Dorados, empresa que administra a marca americana. 

"Continuamos adaptando nosso negócio à dinâmica dos mercados em que estamos presentes. De acordo com esta dinâmica e adaptação, fechamos um número reduzido de restaurantes recentemente", afirmou a empresa em um comunicado, sem precisar o número exato de estabelecimentos fechados.

A imprensa local e clientes afirmaram que sete unidades da rede foram fechadas, quatro delas em Caracas.

A Arcos Dorados afirmou no comunicado que "não está fechando franquias" e destacou que atualmente mais de 120 restaurantes estão abertos na Venezuela.

 

"Seguimos comprometidos com o desenvolvimento do país. Como temos feito por 33 anos na Venezuela, e a nível global desde que o McDonald’s começou a operar", completa o comunicado.

No restaurante de Sabana Grande, no leste da capital, continua funcionando apenas o serviço de sorvetes, com preços impagáveis ​​para muitos.

"Nove milhões de bolívares por um sorvete! Estão loucos!", reclamou um cliente.

Uma casquinha custa 90 bolívares soberanos, denominação lançada pelo ditador Nicolás Maduro em 20 de agosto e que suprimiu cinco zeros da moeda, pulverizada por uma inflação que deve chegar a 1.000.000% em 2018, segundo o FMI.

"Se o dinheiro não é suficiente para comprar alimentos básicos, como posso ir a um McDonald's?", disse Julián Peña, 79. Um sorvete custa o mesmo que um quilo de carne.

Ao caso do McDonald's, que teve de mudar seu cardápio devido à escassez de insumos, se soma o do fabricante de pneus Pirelli, que na segunda-feira passada fechou sua fábrica na Venezuela por falta de matéria-prima. Segundo o governo e o sindicato, chegou-se a um acordo para retomar as operações.

Outras multinacionais fecharam nos últimos anos devido à crise, como General Motors, Kimberly-Clark, Clorox e Kellogs.

A Venezuela enfrenta uma aguda crise econômica, com uma hiperinflação que este ano pode superar 1.000.000%, segundo o FMI, e uma grave escassez de alimentos e medicamentos. Maduro começou a aplicar em 20 de agosto um conjunto de reformas econômicas, com novas cédulas que cortaram em cinco zeros a moeda local.

O governo também aumentou em mais de 3.400% o salário mínimo e informou que assumirá o diferencial da alta nas pequenas e médias empresas do país durante 90 dias. 

Após o anúncio das medidas, que também contemplam um aumento de impostos e da gasolina —a mais barata do mundo— muitas lojas não abriram e analistas advertem que os menores estabelecimentos não conseguirão pagar o salário mínimo. 

AFP
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