Apesar de segurança reforçada, caravana de 3.000 migrantes chega ao México

Grupo de centro-americanos derrubou a grade de fronteira para atravessar a ponte na Guatemala

Homem de camisa preta e calça vermelha segura uma bandeira de Honduras em cima de uma grade. Ao fundo, uma placa diz, em espanhol, bem-vindos ao México.
Imigrante de Honduras carrega bandeira de seu país pendurado na grade da ponte da fronteira entre Tecún Umán, na Guatemala, e Tapachula, no México - Johan Ordóñez - 19.out.18/AFP
Tecún Umán (Guatemala) , Tapachula (México) e São Paulo

A caravana de cerca de 3.000 hondurenhos que viaja, em sua maioria, rumo aos EUA conseguiu nesta sexta-feira (19) cruzar a fronteira entre o México e a Guatemala, apesar do reforço na segurança feito pelos dois países.

A viagem do grupo, que partiu da cidade hondurenha de San Pedro Sula no último sábado (13), irritou o presidente americano, Donald Trump, que ameaçou cortar a ajuda à América Central e fechar a fronteira com o México.

Os imigrantes conseguiram quebrar o portão do entrada para a ponte entre a cidade guatemalteca de Tecún Umán e a mexicana Tapachula por volta do meio-dia (15h em Brasília), apesar da presença de militares do Exército.

A invasão ocorreu horas após o governo mexicano anunciar que admitiria 150 pessoas por dia para solicitações de asilo. Eles teriam vagas em abrigos da região por dez dias, período em que o pedido seria avaliado.

Segundo o Instituto Nacional de Migrações, os aprovados nessa triagem preliminar poderiam ficar até 45 dias nos albergues até a saída dos documentos. Os reprovados no processo seriam detidos e levados à deportação.

A tensão aumentou no final da manhã. O grupo começou a cantar gritos, como “de um jeito ou de outro, nós vamos passar”, e caminhou as duas quadras do parque onde haviam se reunido desde as 7h até a entrada da ponte.

Sem serem impedidos pelos militares guatemaltecos, homens jovens começaram a pular a grade e a pressionaram para derrubá-la. Na sequência, outros homens, mulheres e crianças avançaram os 137 metros até o lado mexicano.

“Nós vamos para os EUA! Ninguém vai nos parar!”, disse à agência de notícias Associated Press Edwin Santos, hondurenho de San Pedro Sula que corria segurando as mãos de seu pai e de sua mulher.

O grupo foi contido pela Polícia Federal mexicana, que usou gás de pimenta para conter um grupo de 50 pessoas que empurrava os agentes de choque. Após um pedido de calma, os imigrantes organizaram filas.

Devido às condições da fronteira, a chance de sucesso do plano inicial mexicano era remota. A Guatemala não tinha estrutura para manter os imigrantes em Tecún Umán por pelo menos 20 dias, prazo mínimo para que todos passassem.

Por outro lado, há diversos pontos de passagem clandestinos pelo rio Suchiate que, embora tenha forte correnteza, é raso o suficiente para permitir a travessia a nado ou, em alguns pontos e dependendo do clima, a pé.

Quando a Folha esteve na região em setembro de 2017, o fluxo de cargas e pessoas cruzando a fronteira em uma passagem ilegal a menos de 1 km da ponte era intenso, enquanto o posto oficial estava quase vazio.

Alguns imigrantes atravessaram pelo rio na quinta (18), mas nesta sexta os balseiros que fazem a travessia foram alertados pelas autoridades mexicanas para manter apenas o traslado de mercadoria, não de pessoas.

Enquanto a caravana de imigrantes chegava ao México, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, se reunia na Cidade do México com o chanceler Luis Videgaray, que prometeu impedir a chegada da caravana aos EUA.

Em entrevista ao canal Televisa, Videgaray disse que o país só admitirá as pessoas que “tiverem uma situação de vulnerabilidade em seu país de origem”.

Questionado se a ação mexicana seria uma forma de o México fazer o trabalho do governo americano, ele declarou que o México “define sua política migratória de forma soberana”.

Ele não se disse preocupado com a ameaça de Trump de fechar a fronteira e citou como justificativa o trânsito de 1 milhão de pessoas por dia e de US$ 1 milhão em mercadorias por minuto. “Antes de tomar uma decisão desse tipo muita gente nos EUA vai considerar as consequências.”

O republicano não se manifestou nesta sexta sobre a caravana. Na quinta, ele havia culpado os rivais democratas pela existência da caravana ao não aprovar leis mais duras de imigração e o seu prometido muro na fronteira.

O presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, também anunciou que vai fornecer transporte para os migrantes que quiserem retornar ao país. Ele e o presidente da Guatemala, Jimmy Morales, combinaram de se encontrar neste sábado (20) para debater uma estratégia para a questão.  

Associated Press e Reuters

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