Irã festeja aniversário da tomada da embaixada dos EUA antes do retorno das sanções

Invasão aconteceu em 1979 e fez 52 reféns; ato que acontece anualmente tem tensões acirradas

Dubai

Milhares de iranianos gritando “morte à América” se reuniram neste domingo (4) para marcar o aniversário da tomada da Embaixada dos EUA durante a Revolução Islâmica.

Multidão com cartazes amarelos se reúne em frente à antiga embaixada americana, que foi ocupada por iranianos anos atrás
Iranianos se reúnem para marcar o aniversário da tomada da Embaixada dos EUA - Reuters

Estudantes, que compareceram ao protesto organizado pelo governo, queimavam bandeiras e fotos do presidente americano Donald Trump na capital Teerã.   

O ato acontece na véspera do reestabelecimento de sanções econômicas dos EUA contra o país.  

Em novembro de 1979, estudantes iranianos invadiram a embaixada logo depois que o governo da época, apoiado pelos EUA, foi derrubado. 

Durante 444 dias, 52 americanos foram feitos reféns. Os dois países romperam relações desde então. 

Protestos relacionados à embaixada acontecem anualmente. Mas neste ano, a relação entre os dois países está ainda pior devido à decisão do presidente Donald Trump de retirar os EUA do acordo nuclear feito com o Irã em 2015.

De acordo com o pacto, o Irã teve a maior parte das sanções financeiras e econômicas internacionais retiradas. Em troca, o país teve que submeter seu programa nuclear à supervisão das Nações Unidas. 

Trump, porém, deixou o pacto afirmando que ele é frágil e favorece apenas ao Irã. Os outros signatários —Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China— mantém a decisão. 

Em resposta, os militares iranianos disseram que vão iniciar, nesta segunda (5), dois dias de testes de sua defesa aérea, e garantiram que o país consegue neutralizar qualquer ameaça. 

DONALD SALMAN

Durante os eventos que marcam a tomada da embaixada, foi exibido uma animação chamada “Donald Salman”, uma referência aos laços entre o presidente dos EUA e o rei Salman, da Arábia Saudita, inimigo regional do Irã. 

“Nela, a audiência pode refletir sobre o comportamento contraditório de Trump e os sauditas”, disse o artista Masoud Shojaei.

O retorno das sanções americanas nesta segunda (5) é parte de um esforço de Trump para fazer com que o Irã suspenda seu programa nuclear, além de enfraquecer a atuação regional do país. 

O aiatolá Ali Khamenei disse, em um discurso neste sábado (3), que as políticas de Trump sofrem oposição em todo o mundo.

“A intenção norte-americana é reestabelecer sua dominação, mas ela falhou. A América vem sendo derrotada pela República Islâmica pelos últimos 40 anos”, afirmou.
 

Reuters
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