Dia de protestos contra presidente leva 283 mil às ruas na França

Governo calcula mais de 2.000 atos pelo país; uma manifestante morreu atropelada

Manifestantes vestindo coletes amarelos protestam contra a política de preços de combustível, em Antibes, próxima a Cannes - Eric Gaillard/Reuters
Paris (França) | AFP

O presidente francês Emmanuel Macron enfrentou uma grande mobilização popular neste sábado (17), liderada pelo grupo "coletes amarelos" formado por motoristas irritados com o aumento dos preços dos combustíveis.

Nos protestos, que reuniram 283.000 pessoas, houve vários incidentes.

Uma motorista atropelou e matou uma manifestante nos Alpes. A motorista entrou em pânico quando se viu cercada pelos manifestantes que começaram a socar seu carro. Ela continuou avançando e atropelou a manifestante. Foi presa em estado de choque.

No norte, um pedestre também foi atropelado e se encontra em estado grave. No total, os incidentes deixaram 227 feridos, seis deles graves, segundo o Ministério do Interior. 

O Ministério do Interior calcula que houve mais de 2.000 protestos em toda a França, mas sem paralisar o país, como queria o grupo de "coletes amarelos". 

Manifestantes bloqueiam a estrada Paris-Bruxelas em Haulchin, no norte da França - Pascal Rossignol/Reuters

O movimento é uma referência ao colete que os motoristas devem usar para ter maior visibilidade em caso de acidente na França e protesta contra a alta do preço dos combustíveis.

As cifras oficiais de participação foram fortemente contestadas. Guillaume Peltier, vice-presidente de Os Republicanos (direita), denunciou uma "manipulação das cifras" para "minimizar o enorme descontentamento popular". 

Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda radical, convidou os participantes a publicarem "fotos das concentrações para mostrar o número" de manifestantes.

Em Paris, a famosa avenida Champs Élysees foi parcialmente fechada pela polícia para evitar que os manifestantes marchassem por ela. 

Na quarta-feira (14), o governo francês anunciou medidas para ajudar as famílias mais pobres a cobrir os gastos com energia, mas manteve o imposto sobre o combustível, o que desencadeou os protestos.

NOVO IMPOSTO

O novo imposto começará a ser aplicado em 1º de janeiro de 2019 e envolverá um aumento de 2,9 centavos de euro (cerca de R$ 0,12) por litro de gasolina.

"Nós não vamos anular o imposto sobre as emissões de carbono, não vamos mudar de curso, não vamos desistir de fazer frente ao desafio" [da mudança climática], disse o primeiro-ministro.

O governo também anunciou um bônus de até 4.000 euros (cerca de R$ 17.100) para incentivar 20% das famílias mais modestas a trocar de carro e comprar uma versão menos poluente. Até agora, o bônus era de até 2.500 euros (cerca de R$ 10,7 mil) para trocar o carro antigo.

Sobre o capô de uma van a frase 'Macron, você é um ladrão', em Rennes, oeste da França - Damien Meyer/AFP

​​POPULARIDADE EM BAIXA

O movimento de protesto vem depois de um ano difícil para o presidente, com múltiplas manifestações contra seu plano de "transformação" da França.

Também se soma à baixa popularidade da Macron, abaixo dos 30%, o menor nível desde a sua eleição em 2017.

Os "coletes amarelos", por outro lado, contam com o apoio de 73% dos franceses, segundo o instituto de opinião Elabe. 

Para a cientista política Sainte-Marie, "é um protesto mais perigoso que os anteriores, porque tem a capacidade de disseminação entre 80% da sociedade: todos aqueles que pegam seus veículos e têm renda modesta".

No mesmo dia do anúncio, o presidente Macron fez um mea culpa sem precedentes, admitindo que não conseguiu "reconciliar o povo francês com seus líderes" e prometeu uma "reconciliação entre a base e o topo" do país.

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