Descrição de chapéu Venezuela

Guaidó e milhares de seguidores pedem que militares se rebelem contra Maduro

Venezuela tem novo dia de protestos pela saída do ditador, que comandou manobras militares

Estudantes universitários protestam em Caracas contra Maduro - Luis Robayo/AFP
Caracas | AFP

Milhares de venezuelanos, liderados pelo líder opositor Juan Guaidó, foram às ruas nesta quarta-feira (30) para pedir aos militares que permitam a entrada de ajuda humanitária no país e para que deixem de seguir as ordens do ditador Nicolás Maduro.

"Não atirem contra um povo que também pede por sua família. É uma ordem, soldado da pátria (...) Basta! Pensaram que provocariam medo, mas estamos em 5.000 pontos" do país, disse Guaidó, em uma manifestação na universidade central, em Caracas. Ele se declarou presidente encarregado do país na semana passada. 

Entre jornalistas e seguidores, Guaidó, usando um jaleco médico, caminhou com pacientes e enfermeiros: "Nós nos reencontramos em uma maioria poderosa que pode mudar o país", declarou.

"Chegou Guaidó e a esperança voltou", repetiam seus seguidores. "Força Armada, recupera a tua dignidade", "Maduro usurpador", diziam cartazes de manifestantes que foram às ruas em vários pontos do país, tocando cornetas, apitos e batendo panelas.

"Estou com uma bactéria e não encontro remédios [para me tratar]. Precisamos da ajuda humanitária, nós, venezuelanos, estamos morrendo", disse Javier, 22, que participava de um panelaço durante protesto nos arredores de um hospital no centro de Caracas.

Guaidó, líder do Parlamento de maioria opositora, comentou ter falado por telefone com o presidente dos EUA, Donald Trump, e ter recebido "pleno apoio".

 

Washington disse ter prontos US$ 20 milhões para enviar em alimentos e remédios, cuja escassez severa afeta os venezuelanos e fez disparar a fuga de pessoas do país.

Trazendo uma bandeira venezuelana na praça Altamira, em Chacao (leste), Jaime Regalado pediu aos militares "que deixem entrar a ajuda humanitária e se coloquem ao lado do povo".

"Estamos trabalhando para que a ajuda humanitária chegue o mais breve possível, uma coalizão internacional vai ser criada para atender à emergência", anunciou Guaidó na manifestação

O ditador Nicolás Maduro considera a ajuda humanitária uma porta para uma intervenção militar americana e atribui a escassez a sanções dos Estados Unidos. "Maduro está fora da realidade, não reconhece a emergência", afirmou o opositor.

Pela manhã desta quarta (30), Maduro comandou manobras militares no Forte Tiuna, maior complexo militar em Caracas, onde denunciou que "mercenários desertores" buscam dividir as Forças Armadas a partir da Colômbia.

Washington, que não descarta uma ação armada na Venezuela, convocou os militares a apoiarem a transição.

Carlos Vecchio, a quem o governo Trump reconheceu como representante da Venezuela nos Estados Unidos, disse nesta quarta-feira, em Washington, que a anistia aprovada pelo Parlamento venezuelano não poderia incluir crimes contra a humanidade.

Vecchio também rechaçou um diálogo com Maduro e pediu à comunidade internacional que não se deixe enganar pelo presidente, afirmando que o único que a oposição vai aceitar é como negociar a sua saída.

Em entrevista à agência de notícias russa RIA Novosti, Maduro agradeceu o apoio do presidente Vladimir Putin e destacou que "a cada mês" a Venezuela recebe armamento russo, "o mais moderno do mundo".

Nesta segunda, os Estados Unidos aprovaram sanções contra a estatal petroleira PDVSA e congelaram contas e ativos venezuelanos, cujo controle entregou a Guaidó. Diante da tensão na Venezuela, os preços do petróleo se valorizavam na quarta-feira.

Maduro contra-atacou na terça (29). O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), de orientação governista, proibiu Guaidó de deixar o país e congelou suas contas. "Isto não me tira o sono. Não queremos deixar o país, queremos que o povo volte", disse o líder parlamentar.

O assessor de Segurança Nacional de Trump, John Bolton, reiterou que qualquer tentativa de causar dano a Guaidó vai provocar sérias consequências.

Nesta quarta, a União Europeia debateu uma resolução que aumenta a pressão para os países do bloco reconheçam Guaidó como "presidente interino da Venezuela". Segundo a AFP, o reconhecimento pode ocorrer nesta quinta (31). 

Maduro disse à agência de notícias russa RIA Novosti não estar disposto a convocar eleições presidenciais, mas afirmou que uma antecipação das legislativas —agendadas para 2020 sim "seria uma boa solução".

Guaidó se declarou presidente encarregado depois que o Congresso declarou Maduro "usurpador" por assumir em 10 de janeiro um segundo mandato considerado ilegítimo por grande parte da comunidade internacional —por ser resultado de eleições fraudulentas.

Maduro se diz disposto a discutir "pessoalmente" com Guaidó e inclusive com Trump. Guaidó disse nesta quarta-feira estar disposto a isso, desde que seja para pôr um fim à usurpação.]

O próximo passo da ofensiva de Guaidó será uma grande manifestação no sábado (2), quando se completam 20 anos da "revolução bolivariana" fundada pelo líder socialista Hugo Chávez (1999-2013).

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