Descrição de chapéu Governo Trump

Maioria democrata da Câmara aprova medidas para reabrir governo, mas sem dinheiro para o muro

Trump diz que vetará legislação que não inclua os recursos; governo está fechado há 13 dias

Sessão na Câmara é comandada por Nancy Pelosi, eleita mais cedo como a nova presidente da Casa
Sessão na Câmara é comandada por Nancy Pelosi, eleita mais cedo como a nova presidente da Casa - Ting Shen/Xinhua
Danielle Brant
Nova York

Na primeira disputa de poder com o presidente Donald Trump, a nova maioria democrata da Câmara dos Deputados americana aprovou, na noite desta quinta-feira (3), um pacote de medidas voltadas a reabrir o governo federal, paralisado parcialmente há 13 dias.

Em desafio ao republicano, porém, o plano não contempla os US$ 5 bilhões necessários para financiar o muro que ele quer construir na fronteira com o México para tentar conter o fluxo migratório para os Estados Unidos. Trump já reiterou que vetará qualquer legislação que não inclua os recursos.

Foram aprovadas duas medidas separadas. Uma inclui dinheiro para financiar temporariamente o Departamento de Segurança Doméstica nos níveis atuais até 8 de fevereiro, dando tempo para que democratas e republicanos continuem as negociações sobre o financiamento ao muro. A medida recebeu 239 votos a favor e 192 contrários.

Outra proposta, aprovada por 241 votos a 190, financiaria os departamentos de Agricultura, Interior e outros até 30 de setembro, quando termina o atual ano fiscal.

Sem o dinheiro para o muro, o plano deve morrer no Senado, onde os republicanos ainda detêm maioria. Para ser aprovado, precisaria de 60 votos –o partido do presidente tem 53 dos 100 assentos.

“O que nós estamos pedindo que o presidente Trump e os republicanos do Senado façam é dizer sim como resposta”, afirmou Nancy Pelosi, eleita mais cedo como a nova presidente da Câmara. “O presidente não pode manter funcionários públicos reféns porque ele quer ter um muro.”

O líder republicano no Senado, Mitch McConnell, tachou o pacote de “teatro político”. “O Senado não vai considerar nenhuma proposta que não tenha chance real de passar nessa casa e de receber a assinatura do presidente. Não vamos perder tempo.”

Horas antes da votação, Trump fez uma aparição surpresa na sala de imprensa da Casa Branca, na primeira vez que o presidente esteve no local. A jornalistas, ele voltou a defender que era necessário liberar dinheiro para construir o muro na fronteira com o México.

“Sem muro, não pode haver segurança na fronteira”, afirmou, ao lado de oficiais responsáveis pelo patrulhamento da área e por fiscalização migratória.

Trump e líderes democratas devem se reunir nesta sexta para retomar as negociações sobre o muro, em nova tentativa de reabrir o governo.

A paralisação parcial já provoca rachas dentro do próprio partido republicano. Dois senadores da legenda que buscam reeleição em 2020 romperam com o presidente e lideranças partidárias e defenderam que já passou da hora de resolver o impasse.

Cory Gardner, do Colorado, defendeu a aprovação de uma resolução parar reabrir o governo. “O Senado fez isso no último Congresso, deveríamos fazer o mesmo hoje”, disse.
 
Já Susan Collins, do Maine, disse não ver razão para que as legislações já aprovadas e que contam com apoio bipartidário sejam mantidas “reféns neste debate sobre segurança da fronteira.”

A paralisação afeta cerca de um quarto do governo federal financiado pelo Congresso. O Pentágono e agências como o Departamento de Saúde e Serviços Humanos já têm dinheiro até 30 de setembro, por estarem sob financiamento de outras leis.

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