Descrição de chapéu Governo Trump

Pelosi é eleita presidente da Câmara dos EUA e não descarta indiciamento de Trump

Democrata comandará Casa mais diversa, com maior número de mulheres já eleitas

Danielle Brant
Nova York

Sem surpresa, a democrata Nancy Pelosi, 78, foi eleita nesta quinta-feira (3) a nova presidente da Câmara dos Deputados americana. Apesar de esperada, a vitória da congressista da Califórnia não deixa de ser mais uma notícia para azedar o dia do presidente Donald Trump, depois de ele ser obrigado a ver o partido adversário reassumir o controle da Casa —os republicanos mantiveram o Senado.

Com a vitória, ela retoma o cargo que perdeu em 2011, após os republicanos assumirem o comando da Câmara.

A democrata Nancy Pelosi nesta quinta (3) após ser eleita presidente da Câmara dos EUA
A democrata Nancy Pelosi nesta quinta (3) após ser eleita presidente da Câmara dos EUA - Mark Wilson/AFP

Ela recebeu 220 votos e derrotou o republicano Kevin McCarthy. Apesar de assegurar o número necessário para presidir a Casa, a congressista sofreu baixas entre os próprios democratas: ao menos 13 colegas de partido não votaram na deputada.

Antes mesmo de ser eleita, Pelosi já havia sinalizado que não descarta o indiciamento de Trump, a depender dos resultados da investigação do procurador especial, Robert Mueller, sobre a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016. O objetivo é saber se houve conluio entre a campanha do republicano e os russos para eleger o presidente.

Em entrevista à emissora NBC concedida antes de ser eleita, Pelosi afirmou ser uma “discussão em aberto” o entendimento do Departamento de Justiça sobre se o presidente poderia ser indiciado enquanto ocupa o cargo. O departamento diz que ele pode sofrer impeachment, mas não pode ser indiciado.

“Eu não acho que isso é conclusivo”, afirmou Pelosi. “Eu acho que é uma discussão aberta em termos da lei.” A democrata também indicou que a Câmara não vai se apressar para votar o impeachment de Trump, embora o processo não tenha sido descartado.

Mas pelo menos um democrata, o congressista Brad Sherman, da Califórnia, pretende tocar no tema, reintroduzindo artigos de impeachment contra Trump. Ele foi um dos três que ingressou com resoluções, em 2017 para tirar o presidente do cargo, junto com Al Green, do Texas, e Steve Cohen, do Tennessee.

A democrata Ilhan Omar, eleita deputada por Minnesota, foi a primeira pessoa a usar um hiyab, tipo de véu islâmico, no Congresso americano
A democrata Ilhan Omar, eleita deputada por Minnesota, foi a primeira pessoa a usar um hiyab, tipo de véu islâmico, no Congresso americano - Mark Wilson/AFP

Em outra entrevista, agora ao The Washington Post, Pelosi havia dito que respeitava o cargo que Trump ocupava e as agências do governo que ele indicava. “Eu acho que eu os respeito mais do que ele, olhando para quem ele indicou para esses lugares”, afirmou.

A Câmara que Pelosi passa a presidir a partir desta quinta terá 235 democratas e 199 republicanos —uma disputa na Carolina do Norte ainda está em aberto. Será uma Câmara reconhecidamente mais diversificada, com alguns recordes batidos nas últimas eleições de meio mandato presidencial, entre eles o de maior número de mulheres eleitas —embora a participação de republicanas tenha diminuído na nova configuração do Congresso.

É a Câmara que tem a mulher mais jovem a assumir um posto na casa: a nova-iorquina Alexandria Ocasio-Cortez, 29. Ela é ainda uma das mais proeminentes representantes da ala mais progressista dentro do Partido Democrata —e que já sinaliza choques com nomes tradicionais da legenda em torno de medidas de austeridade econômica.

Terá também congressistas muçulmanas pela primeira vez —Rashida Tlaib, de Michigan, e Ilhan Omar, de Minnesota. Ilhan foi a primeira mulher a usar um hiyab, tipo de véu islâmico, no Congresso americano. Haverá mulheres indígenas, duas latinas eleitas no Texas —pela primeira vez— e duas negras da região da Nova Inglaterra, eleitas por Massachusetts e Connecticut.

Uma das primeiras medidas que serão votadas será o fatiamento de leis de financiamento para reabrir o governo federal —uma paralisação parcial que já dura 13 dias deixou 25% da administração sem recursos. São 800 mil trabalhadores sem receber, em um apagão que deixa parques fechados e provoca outros transtornos ao país.

Para desbloquear a situação, a Câmara deve votar, de um lado, ações com apoio bipartidário que financiariam agências como a Receita Federal americana e o Departamento de Interior até o final do ano fiscal, em setembro.

Outra votação deve abranger recursos à segurança doméstica nos níveis atuais até 8 de fevereiro e incluiria US$ 1,3 bilhão para instalação de cercas, mas sem recursos para o muro que o presidente quer construir na fronteira com o México e que é basicamente o grande responsável pelo atual impasse que deixa o governo fechado.

Mesmo que passe no Senado —o que é improvável, considerando que os republicanos detêm 53 assentos na Casa, e a medida exigiria 60—, as propostas devem naufragar na Casa Branca. Trump já anunciou que não assinará nenhuma lei que não contemple o dinheiro para a obra.

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